Falência da SESA intimida secretário

CARGO DE “DESCARTÁVEIS”
O advogado e contador João Bittencourt da Silva comanda a pasta desde abril passado, no lugar do coronel reformado da PM, Gastão Calandrini que, ao transferir o cargo, deixou para o sucessor os mesmos problemas que recebeu como herança de sua antecessora, Renilda Costa, que ficou no cargo por 16 meses.
A Secretaria de Estado da Saúde do Amapá sempre foi o calcanhar de aquiles das gestões capitaneadas pelo pedetista Waldez Góes. Desde janeiro de 2015, quando retornou para o governo estadual, sendo reeleito em 2018, mantém na SESA um intenso sistema de “rodígio” de secretários.
João Bittencourt da Silva pode ser outro “descartável”.
Por Emanoel Reis

O secretário de Estado da Saúde do Amapá (SESA), João Bittencourt da Silva, funcionário de carreira da receita estadual, vem confidenciando a amigos próximos o desejo de deixar o cargo nas próximas semanas. Para os íntimos, alega enormes dificuldades para gerir a pasta devido aos gravíssimos problemas financeiros em andamento na saúde pública do Estado, dentre eles a crônica falta de recursos para pagamento dos plantões médicos, para aquisição de medicamentos e para implementação das reformas necessárias em hospitais e unidades de pronto atendimento.
Na manhã de terça-feira, 30 de julho, ele deixou seu gabinete, no prédio da SESA, atravessou a avenida FAB em direção ao complexo de secretarias, localizado mais adiante, na mesma via, e aportou, sem muitas formalidades, na ante-sala do gabinete de seu colega, titular da pasta de Planejamento, Eduardo Corrêa Tavares. Joãozinho, como também é conhecido nos círculos restritos, usava sandálias (ainda recupera-se de um acidente em um dos pés), estava esbaforido e parecia angustiado. Por ser fim de mês, queria informações sobre liberação de recursos. Não ficou muito satisfeito com as respostas obtidas.
Os queixumes de João Bittencourt da Silva não soam extemporâneos. A situação financeira do Amapá agrava-se com as sequências de equívocos cometidos na área econômica pelo governador Waldez Góes (PDT), cujo mandato teve início em janeiro e até agora ainda não deslanchou, conforme promessas feitas nos palanques, durante a campanha eleitoral de 2018.
A sensação de falência generalizada vem se alastrando e reflete nas estatísticas de desemprego divulgadas este ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme levantamentos recentes, “(…) Um de cada cinco amapaense acima dos 14 anos e apto para ingressar no mercado, está desempregado. O dado referente ao 1º trimestre deste ano (20,2%) é superior aos últimos três meses do ano passado (19,6%)./Os dados que mostram a elevação da desocupação no Amapá são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e expressam a voracidade da falta de oportunidade no mercado formal, onde 53,3% dos 77 mil desempregados estão a procura de emprego há mais de 2 anos.” (…) – (Fonte: https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2019/05/17/ap-mantem-maior-taxa-do-pais-e-ganha-3-mil-novos-desempregados-no-1o-trimestre.ghtml).
A SESA é uma bomba atômica prestes a explodir no colo de Joãozinho. E este cenário de pré-apocalipse ele já detectou ao tentar apagar incêndio com gasolina nos encontros com servidores da saúde pública estadual que não cansam de denunciar o abandono e as más condições de equipamentos, enfermarias e imóveis. Agravante confirmado com o atraso nos pagamentos dos plantões.
As reportagens sobre este e outros problemas devastadores no Amapá ganham destaques nas diversas mídias, com abordagens sempre idênticas a esta: “Profissionais da saúde no AP protestam por falta de condições de trabalho e risco à vida de bebês – Ato aconteceu na principal avenida do Centro de Macapá.” – (Fonte: https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2019/05/30/profissionais-da-saude-no-ap-protestam-por-falta-de-condicoes-de-trabalho-e-risco-a-vida-de-bebes.ghtml).
Sem meias palavras, a verdade inquestionável, segundo confidências do próprio secretário da Saúde, é que o setor está em ruínas e dificilmente poderá ter imediata recuperação. Ao assumir o cargo, em abril passado, João Bittencourt sabia muito bem que estava recebendo de seu antecessor, coronel da PM Gastão Calandrini, um pepino de proporções avantajadas e que, mesmo com toda boa vontade, seria impossível engoli-lo sem fazer careta.
Uma herança maldita transferida pelo governo estadual de secretário a secretário sem que, até agora, tenha sido capaz de romper com tamanha desgraça.

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