CONJUNTURA

GASTANÇA

Senadora do Podemos paga R$ 610 em “almoço de natureza política”

A gastança desenfreada promovida por quem deveria zelar pelo dinheiro público continua em espiral crescente
Senadora de Mato Grosso fez reunião em restaurante de luxo para tratar de “assuntos de extrema relevância”

A senadora Juíza Selma (Podemos-MT) pagou R$ 610 por uma refeição no Restaurante e Peixaria Okada no dia 12 de agosto. Segundo a sua assessoria, foi uma “reunião de natureza política” com o superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), Nelson Vieira, e servidores do órgão para tratar de “assuntos de extrema relevância para o estado” debatidos na “Conferência Visão 2030: Mato Grosso Desenvolvido”.
A nota fiscal não descreve, porém, os pratos servidos no almoço, encerrado por volta das 14 horas. O gabinete da senadora afirma que a prestação de contas está em conformidade com a regulamentação do Senado.

Você paga o combustível dos aviões
O senador Ângelo Coronel (PSD-BA) gastou R$ 13,9 mil com combustível para aviação em setembro, para deslocamentos até o seu local de trabalho, o Congresso Nacional. A conta ficou para o contribuinte. Mas o senador não fretou aeronaves. Questionado pelo blog sobre esse detalhe, respondeu que “não houve gasto com fretamento de aeronave, já que a mesma é particular. Tudo dentro da legalidade, de acordo as normas estabelecidas pelo Senado da República”.
Perguntamos, então, se o avião é de sua propriedade. A sua assessoria respondeu que ele “é empresário e está senador”. Acrescentou que a aeronave é um jato bimotor operado pela empresa Jetgold, que atende ao senador e às empresas do grupo da família. O senador utiliza a aeronave no roteiro Salvador/Brasília/Salvador, e também em roteiros comerciais. “Quanto ao pagamento pelo uso, o senador e as empresas do grupo da sua família bancam a aeronave com recursos privados”, disse a sua assessoria.
Coronel destacou que os senadores têm direito à cota mensal para gastos com locomoção dos seus respectivos estados para Brasília (ida e volta). Em oito meses de mandato, ele utilizou apenas 8% do valor a que tem direito.

Os campeões de gastos
Além do “campeão”, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o senador Ciro Nogueira já gastou muito dinheiro com aviões, tudo por conta do Senado. Em 2017, torrou R$ 157 mil com fretamento de aeronaves, mais R$ 76 mil com combustível para aviões. No ano passado, reduziu essas despesas. Neste ano, usou a sua cota apenas com combustível das aeronaves, num total de R$ 75 mil. E não informou em que aviões é transportado.
O senador Carlos Viana (PSD-MG) gastou R$ 3,9 mil com combustível para aviões em agosto e setembro. Mas também não fretou aeronaves no período. O seu gabinete afirmou que foram viagens para cumprir agenda no interior de Minas “com aviões de apoiadores ligados a um aeroclube do qual o senador foi aluno”. As quatro viagens foram realizadas em quatro aeronaves diferentes de propriedade de quatro apoiadores.

Os carrões mais caros
Telmário Mota (PROS-RR) vinha fazendo despesas no valor de R$ 18 mil com Daura de Oliveira Paiva neste ano. Ele se negava a informar os serviços contratados. Pelas notas fiscais de julho e agosto, é possível identificar que se trata da locação de uma caminhonete Triton 4X4. Nos primeiros meses do ano, ele pagava quantia semelhante (R$ 20 mil) a Marines Feitosa. Os valores estão muito acima da média das demais locações feitas por senadores para veículos semelhantes. Procurado, o senador não respondeu aos questionamentos do site.
Também de Roraima, o senador Messias de Jesus (Republicanos) vinha contratando serviços na Lemans Locação, em Boa Vista, no valor total de RR 19 mil. As notas fiscais mostram agora que ele aluga um Jeep Compass por R$ 8,5 mil mensais e uma Camionete S-10 por R$ 10,5 mil. Questionado, o senador não explicou a necessidade de locação desses carros. (Por Lúcio Vaz)

Ciro Gomes rechaça possibilidade de outro acordo com o PT: “nem para ir para o céu”

SEMELHANÇAS NOCIVAS — Ciro Gomes compara o bolsonarismo ao petismo e afirma que ambos são prejudiciais aos interesses do Brasil

Continuidade da entrevista:

O sr. descarta uma nova união com o PT?
Com essa burocracia do PT, nem para ir para o céu. Pago meus pecados no purgatório mais um pouquinho mas nem para ir para o céu. Porque é um bando de ladrão, de mentiroso. Estou falando da burocracia do PT, não da militância e do bom pensamento de velhos militantes. O Chico Buarque é fanático do PT e sou fã dele e entendo que ele não quer nem saber se roubou ou não, se a economia se destruiu, ele gosta do Lula e não tenho nenhum problema com isso. Mas essa burocracia, as linguagens corruptas e a traição ao país que fizeram na economia e no social é imperdoável.

Nesse aspecto do fanatismo que o senhor fala, o bolsonarista e o petista são iguais?
Um se sustenta no outro, sem nenhuma dúvida. Esse é o cálculo do Lula, que é gênio na política. Estava cansado de saber que o Haddad perderia a eleição, o que ele não podia era perder para mim, porque o que estava em jogo para o Lula não era o Brasil, era o PT. Aliado para eles é útil até o momento que faz o que São Lula mandar. Na hora que São Lula não gostar, acionam uma máquina de difamação e destruição. Fizeram com a Marina, só que comigo o buraco é bem mais embaixo. Não vão me empurrar para a direita nunca, quem está na direita são eles.

O PT está na direita?
Com essa burocracia do PT, sem nenhuma dúvida. Ninguém é de esquerda porque se diz de esquerda, são as práticas que definem. Veja os bancos, o sistema tributário brasileiro, é o sistema mais perverso e injusto do mundo. Ele cobra muito mais dos pobres e muito menos dos ricos. Na prática, rico não paga imposto no Brasil e o servente de pedreiro ou uma diarista quando liga no celular paga 40% de imposto. Isso não é um sistema criado pelo Bolsonaro, é um sistema criado pelo Fernando Henrique e aprofundado pelo PT.

O ministro Sérgio Moro foi bastante desgastado pelo episódio da Vaza-Jato. Ainda é um nome para a sucessão de Bolsonaro?
Acho que até lá estará carbonizado. O Bolsonaro é paranoico e já percebeu que tem um inimigo dormindo com ele em casa. Está um jogo de inimigos falsos, um vendo que hora vai meter a faca nas costas do outro. E os dois acho que vão acertar a faca nas costas um do outro a bem do país. Mas uma facada, espero que desta vez, que seja só metáfora.

O sr. se define como candidato de esquerda?
O projeto que defendo é de centro-esquerda, reunir os interesses da produção com os do mundo do trabalho. Um sistema tributário mais progressivo, um sistema previdenciário unificado que acabe com privilégios e corteje mais pobres, que estabeleça a responsabilidade do estado de consertar os motores enguiçados do desenvolvimento econômico brasileiro e comece a executar um projeto que tem meta de fazer o Brasil um país com indicadores socioeconômicos espanhóis em 30 anos.

Que partidos vai procurar?
Essas coisas não são visualizadas a tal distância. É quase tão acertado eu antecipar os números da loto quanto eu dizer com quem estarei em 2022.

Quem descarta?
Vamos supor que aconteça revolução interna no PT, troquem burocracia toda, façam uma autocrítica e se apresentem para a sociedade brasileira, isso é um fato que me provoca uma atitude outra que não a que tenho hoje. Vamos supor que o Psol tenha uma clareza que esse alinhamento automático está dando a eles um status inferior de puxadinho do PT corrompido, o que é um equívoco, temos uma conversa para fazer. Vamos supor que o PSB entenda que o Brasil é um pouco mais importante que Pernambuco, temos uma conversa. O DEM hoje, para mim, está cumprindo um papel, através do Rodrigo Maia, muito importante, de obrigar o Bolsonaro a atuar dentro do regime democrático, e isso não é pouca coisa. Não afino em nada com a agenda reacionária e conservadora do DEM, mas neste aspecto. O outro é o da contenção de danos. A primeira proposta da reforma previdenciária foi para lá e o Rodrigo nos garantiu espaços para ir atenuando danos. Com essa gente eu converso muito mesmo. Se me dessem amanhã o privilégio de vir comigo para mim, é o desenho de um projeto de produção e trabalho.

Que adversários o senhor espera ter na eleição de 2022?
Não vejo Bolsonaro candidato, acho que o Doria vai abrir mão da corrida e que a elite vai estar tão apavorada que vai com Luciano Huck. Esse Amoêdo não tem muito lugar, mas está se esforçando para ser. Na esquerda vai vir o PT necessariamente com um candidato, eu devo ser se a indicação do meu partido persistir até lá.

Como avalia essa crise no PSL, causada pelo próprio Bolsonaro, que agora diz que o partido está queimado depois das acusações de candidaturas laranja e caixa 2?
O PSL não existe, era uma dessas fraçõezinhas ridículas que existem para negociar legenda e tempinho de televisão nas eleições municipais sem maior comprometimento. De forma oportunista, sem nenhuma afinidade ideológica, resolveram dar legenda ao Bolsonaro. Com isso, o Bolsonaro transformou o PSL no maior partido brasileiro e os deputados resolveram criar o fundo eleitoral, cujo critério (da distribuição) é o número de deputados. Nessa brincadeira o PSL tem R$ 780 milhões de dinheiro público daqui até a eleição. Como não tem ideologia nem nada, caráter zero, estão brigando pelo dinheiro. Vai ser guerra de foice no escuro.

O presidente fica no PSL?
Duvido. Eles vão tentar tomar o PSL, que é a lei do menor esforço. Depois tentar alguma alteração na lei ou justificativa que permita o per capita do dinheiro ir com Bolsonaro para outro lugar. É uma guerra de doido com bandido.

Paulo Guedes já dá mostras de que não vai cumprir algumas metas, como a de zerar o déficit no primeiro ano de governo. O que o senhor acha que ele vai conseguir?
O Paulo Guedes é um aluno medíocre de Chicago que nunca teve um papel mais relevante no debate brasileiro, não é má pessoa, mas não conhece o Brasil. Ele está intoxicado e parou de estudar nos anos 1980 para ganhar dinheiro. Hoje a ideologia e o marco de economia política que ele pratica está vencido inclusive em Chicago, ninguém mais defende essa estupidez que ele está a ferro e fogo empurrando ao Brasil. Nossa proposta é cobrar um tributo sobre lucros e dividendos empresariais em linhas com as melhores práticas internacionais que todo mundo cobra. Só o Brasil não cobra esse imposto. Dá R$ 70 bilhões. Não precisa zerar o déficit no primeiro ano, tem aí R$ 70 bilhões para começar a trabalhar. O Guedes acha que Brasil tem que fazer agenda do bom moço internacional, que é aquela vencida de privatização, desregulação, redução do estado, que nós então seremos reconhecidos pela comunidade internacional e salvos do nosso desastre socioeconômico pelo investimento estrangeiro. Sabe quando isso aconteceu na história da humanidade? Nunca, não existe esse caminho.

O governo Bolsonaro tem a pior avaliação de primeiro mandato entre os presidentes. O povo se arrependeu?
Nosso povo votou machucado, exasperado por uma crise econômica sem precedente, encimada por uma notícia em horário nobre de televisão de corrupção generalizada. Nesses ambientes apaixonados, odientos, o Bolsonaro foi capaz de interpretar de forma tosca, simplória, grotesca mas muito eficaz, ajudado inclusive pela despolitização e o sentimento generoso do nosso povo quando ele levou a facada, isso o subtraiu dos debates com uma razão respeitável. Mas eu era visto pelo povo brasileiro como um pessoa séria, respeitada, mas que tinha muita ligação com o PT. E a onda ali era uma vingança contra a traição econômica especialmente, porque o Lula puxou 40 milhões de pessoas para cima mas a mesma gente e uma pessoa que o Lula impôs sem o mínimo conhecimento do povo trouxe todo mundo para baixo de novo. É o mesmo fenômeno que destruiu o PSDB como vetor nacional. Nunca mais, do Fernando Henrique para cá o PSDB ganhou uma eleição nacional. Foi o debate econômico com a desvalorização do real com a corrupção generalizada. É o mesmo filme porque são faces da mesma moeda. O povo brasileiro encheu o saco disso e o Bolsonaro estava na área.

E o senhor, se arrependeu de ter ficado de fora do segundo turno na eleição passada?
Cumpri a orientação do meu partido que foi um apoio crítico. Mas sabendo o que sei e vendo o que eu vi, se vou de novo fazer comício com o PT passa a ser cumplicidade. Aliança, solidariedade tudo bem, até porque em uma eleição que você não é majoritário tem que ter a humildade de ficar perto do seu vizinho, ainda que você não seja igual, e negando seu antagônico. Não estou arrependido de não ter votado no Aécio e ter votado na Dilma, votaria do mesmo jeito, mas já com o dedo no nariz. Já votei com o dedo no nariz e não estou dizendo isso hoje, denunciei publicamente na época a maluquice do Lula impor a Dilma sem experiência e o Michel Temer corrupto de 30 anos na linha de sucessão. Engoli, mas daqui para frente é cumplicidade e sou sério.

O senhor disse que Bolsonaro não termina o mandato. Tem uma previsão?
Tinha uma perspectiva que não demorava muito, porque estava acompanhando a investigação do MP do RJ com relação aos filhos dele. Ali não tem erro. O Bolsonaro fazia isso como deputado, todo mundo sabia que ele tinha cinco seis funcionários fantasmas que assinavam recibo, ele pegava dinheiro e botava no bolso. Ele ensinou os bolsonarozinhos zero um, dois e três a fazer a mesma coisa. A vida do Bolsonaro é isso, carguinho, mamatinha. É inacreditável que faça o discurso oposto e a população brasileira engula. Está tudo visto e quando começaram a investigar viram algo muito mais complexo que é uma conexão íntima com as milícias do RJ. Esse Queiroz tem 10 homicídios nas costas, esse Ânderson 100 homicídios. E a mãe e o irmão estavam no gabinete do Flávio Bolsonaro. Vem aí um documentário do José Padilha que vai ser lançado em julho do ano que vem. Pode ser a ocasião, porque vai estar tudo mostrado.

Acredita em uma saída voluntária ou provocada?
Acho que ele renuncia. Na vida democrática moderna do país só três presidentes terminaram o mandato: Juscelino, Fernando Henrique e Lula. Ele é um cara avesso ao antagonismo, não consegue conviver com a crítica. Enquanto tem compensação, sai no carro e chamam de mito, ainda tem compensação. No ano que vem não vai poder por a cara na rua que é vaia em todo canto. Qual a compensação no fim? Ele tem personalidade para resistir a isso? Duvido. Esses filhos malucos criando caso e o Trump perdendo a eleição. A humilhação que submeteu o país a partir de uma humilhação pessoal dele. Ele deu uma entrevista que pouca gente deu valor dizendo que acorda de madrugada chorando. Diz que guarda um revólver perto porque desconfia de todo mundo, tomara que não seja suicido porque aí é trágico.

Como o senhor avalia a atitude do Lula de rejeitar ir para o semiaberto?
Ele sentiu que o judiciário brasileiro está emparedado. Dá entrevista toda hora, está em uma suíte bastante confortável, recebe namorada, alguns amigos toda hora, e sentiu que o tubarão sangrou no mar, que o aparelho de Justiça do Brasil está sangrando pelas imprudências do Sérgio Moro, pela fissura com o STF, então ele está jogando. E desmoralizando a justiça. Estou falando como professor de direito, não é opção sua ou minha ficar dentro ou fora da cadeia. Só está dentro ou fora quem a lei mandar.

Também foi inédito o MP pedir para ele sair?
Porque essa turma de Curitiba só faz política e caíram no ambiente do Lula. No campo da política, o Lula é o campeão, essa meninada Deltan Dallagnol, esses babacas, o Sérgio Moro é um idiota na frente do gênio político do Lula. Ele agora está jogando com o Supremo, está emparedando o supremo. E o trágico é que na esteira disso lá se vai Geddel Vieira Lima, Eduardo Cunha e Palocci para a liberdade, tudo vai ser anulado. No direito, o juiz não pode aconselhar a parte, se ele aconselha a parte, e o MP é parte, é considerado suspeito. Se ele é considerado suspeito todos os atos que presidiu são nulos. Não é que o Lula vire inocente como vão dizer, é nulo o ato começa tudo de novo.

Para o senhor o Sérgio Moro deve ser declarado suspeito?
Dentro do melhor direito, sim. Só que não é por notícia de jornal. Os advogados do Lula mandam a notícia, a Justiça recebe, abre para parecer do MP, este se tiver dúvida vai pôr suspeita, o Judiciário tem que determinar perícia, a PF faz e afirma se são verdadeiras ou não. Como a gente sabe que são verdadeiras, uma vez a perícia afirmando que são depois desse rito ele é suspeito e sendo suspeito tudo será nulo. E aí está o grande bem que o Sérgio Moro fez à Justiça brasileira, passar um atestado de impunidade. Aí apostando na ignorância, o Sérgio Moro vai se demitir dizendo eu prendi e eles soltaram para ficar no guetozinho dele, nos seus 18% ou 20% que ainda restarão de fanáticos do lava-jatismo.

Previdência dá a Alcolumbre a chance de consolidar influência no Congresso

SURPREENDENDO — Davi Alcolumbre transita com desenvoltura entre representantes da velha e nova política no Senado: fama de pacificador
Por Olavo Soares

A reunião que aprovaria a reforma da Previdência na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) passava das oito horas de duração quando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), entrou na sala onde ocorriam os trabalhos, na última quarta-feira (4). Ele cumprimentou todos os senadores presentes, assumiu lugar na mesa e aguardou a conclusão das votações. Foi elogiado pela presidente da CCJ, Simone Tebet (MDB-MS), que disse que a presença de Alcolumbre na reunião “engrandecia o Parlamento”, e também fez um discurso enaltecendo o desempenho da CCJ.

A ARTE DA POLÍTICA E A CONQUISTA DO PODER
O fato de conquistar poder e dinamizá-lo a fim de obter benefícios duradouros nem sempre é uma tarefa fácil. E essa procura de poder é sentida em todos os aspectos: no trabalho, em casa, na escola, na faculdade, nos relacionamentos, nos negócios, enfim, na vida. No entanto, falar de poder pode ser um assunto um tanto subjetivo, até porque muitas pessoas possuem visões e versões variadas sobre o que significa poder, suas características e como ele influencia nos âmbitos sociais, emocionais, profissionais e em outros setores da vida do indivíduo. E é a partir desse ponto que o livro “As 48 leis do Poder”, de Robert Greene, começa a se aprofundar no quesito explicativo sobre o que é o poder, como funciona, quais suas vantagens e como adquiri-lo e aumentar seu alcance a fim de atingir seus objetivos mais profundos.
O autor do livro, Robert Greene, é um palestrante norte-americano que estudou na Universidade de Berkeley, na Califórnia, e lá começou a se aprofundar sobre o conhecimento do poder e de que modo ele causa impacto na vida das pessoas. De forma geral, ele abstraiu todas as visões que as pessoas possuem sobre o poder e os transformou numa visão mais plausível, direta e prática sobre o que é esse fator e como usá-lo a seu favor.
Muitas pessoas foram entrevistadas e estudadas por ele, inclusive grandes e renomados profissionais de diversas áreas, identificando variáveis, situações, desafios, perspectivas e outras informações que fortalecem a base do que é o poder e o que essas pessoas fizeram para se tornarem poderosas de fato.
Entretanto, essas pessoas estudadas não foram só profissionais atuais. Historiadores, guerreiros, comandantes e outras personalidades, como Napoleão Bonaparte, foram algumas das pessoas que Robert Greene estudou e personificou de maneira realista, profunda e totalmente objetiva sobre o poder, causando um impacto grande para quem lê o livro.
A base do livro “As 48 leis do poder”
Antes de tudo, é preciso deixar claro que “As 48 Leis do Poder” causa um choque para quem começa a lê-lo. Isso porque o autor retrata o poder de acordo com aquele antigo conceito, com uma verdade “nua e crua”. Todavia, o leitor consegue se acostumar e a entrar em sintonia aprendendo que de fato é o poder.
Ele não só explica o que é o poder, mas também ensina ao leitor como ganhá-lo a todo instante. Para quem não está acostumado e um estímulo tão intenso como o que Greene faz no seu livro, isso pode incomodar. Uma vez aparentando que Greene não se importa com os aspectos exteriores que podem influenciar a decisão da pessoa de adquirir poder, todas as informações que ele transmite fazem sentido e provocam o leitor não apenas a refletir, como também a não ficar parado vendo as oportunidades passarem.
(…)
LEIA MAIS — Obra de Robert Greene descortina erros e acertos na busca e manutenção do poder

Na ocasião, a comissão não apenas aprovou o relatório do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) sobre a reforma, como também rejeitou os destaques que poderiam modificar o texto e deu os primeiros encaminhamentos para a tramitação da chamada “PEC paralela”, que pode incluir servidores de estados e municípios na alteração do sistema de pagamento de aposentadorias e pensões.
O ambiente positivo mostra como Alcolumbre tem conduzido a reforma da Previdência, o principal projeto do poder público no Brasil em 2019, e também como o presidente do Senado tem se articulado dentro do Parlamento. Ele, que chegou ao comando do Senado por meio de uma eleição controversa, marcada por debates acalorados e disputas judiciais, tem conseguido pacificar a casa e o Congresso, do qual também é presidente.
“Agora, a expectativa de Alcolumbre é fazer a votação do primeiro turno da reforma da Previdência no Senado. O segundo turno e a análise completa da PEC paralela também não devem demorar muito. O ambiente no Senado é o de aprovação – mesmo parlamentares contrários à proposta reconhecem que a chance de a reforma não prosperar é pequena.
A força de articulação e bastidores que Alcolumbre tem exercido e vai chegar ao ápice caso ocorra a aprovação reforma da Previdência é similar à que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), demonstrou durante as discussões para o mesmo projeto. Maia foi o maior líder para a aprovação da reforma, defendendo o tema mais do que integrantes do partido do presidente Bolsonaro.

“Ele está surfando na articulação”
O senador Zequinha Marinho (PSC-PA) avalia que Alcolumbre tem conseguido, até o momento, executar sua agenda dentro do Senado. “O Davi ocupou um espaço e está surfando na articulação. Tudo o que ele quis fazer, fez com muita tranquilidade e a concordância de todos nós”, disse.
Conterrâneo de Alcolumbre, Lucas Barreto (PSD-AP) endossa a análise de Marinho. “Ele tem sido o grande articulador do Senado”, declarou. Um exemplo concreto da força de Alcolumbre, segundo Barreto, veio na aprovação, pelo Congresso, do crédito suplementar.
Na ocasião, em junho, os deputados e senadores aprovaram um projeto de lei que permitia ao governo federal abrir uma linha de crédito no valor de R$ 248,9 bilhões para custear despesas correntes, como salários e benefícios como o Bolsa Família. À época, o projeto foi alvo de grandes negociações com a oposição, que contestava a apresentação da ideia em meio ao momento em que o Ministério da Educação promovia o contingenciamento de recursos para o setor. Com a atuação de Alcolumbre e outros líderes, a proposta acabou aprovada por unanimidade, tanto por parte dos senadores quanto dos deputados federais.”

“Velha política, nova política, velha política
A força articulatória de Alcolumbre se explica também porque no Senado o embate principal não é o que existe entre oposicionistas e defensores do governo Bolsonaro. O maior choque se dá entre os políticos “tradicionais” e os que puxaram para si a bandeira da “nova política”. É uma discussão que se verifica, por exemplo, em temas como a possível instalação da CPI da Lava Toga (para apurar desvios por parte de membros do Poder Judiciário) e o projeto de lei que coíbe abuso de autoridade.
A CPI para apurar ações consideradas controversas do Poder Judiciário é o que mais causa desgaste ao presidente do Senado atualmente. Ele sofre pressão de juízes, principalmente do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para engavetar a comissão. Alcolumbre se equilibra entre os juízes apoiados pela “velha política” e os novatos, evitando se indispor com ambos os lados e buscando uma solução negociada. Por enquanto, tem tido sucesso. A pergunta é: até quando?”
“Alcolumbre transita com desenvoltura entre os novos senadores e os da “velha guarda”. Durante o período da eleição para a presidência do Senado, em fevereiro, ele foi aclamado como o representante da “nova política” – mesmo sendo filiado a um partido tradicional e estando em seu quarto mandato no Congresso Nacional. Contribuiu para isso o fato de seu principal opositor na disputa ser Renan Calheiros (MDB-AL), expoente do que se convencionou chamar de “velha política”.
O embate não impediu que, nos dias atuais, Alcolumbre dialogue até mais com forças ligadas a Renan do que com os que colaboraram para a sua vitória em fevereiro. Recentemente, a Folha de S. Paulo relatou insatisfação de senadores que apoiaram o atual presidente, como Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Plínio Valério (PSDB-AM), e hoje criticam sua conexão com quem foi seu opositor no início do ano.
Para a maior parte dos parlamentares, entretanto, o clima bélico de fevereiro não persiste no Senado – e Alcolumbre é, ao mesmo tempo, o responsável e o beneficiado com a pacificação. “Aquele tumulto é matéria vencida”, disse Roberto Rocha (PSDB-MA). “Até me surpreendi como isso foi superado tão rapidamente. E assim que foi superado, o Davi consolidou sua liderança”, acrescentou Zequinha Marinho.”

Relatório da Polícia Federal acusa Rodrigo Maia de ”caixa três”

REAÇÃO — Rodrigo Maia, presidente da Câmara: “A conclusão do relatório da Polícia Federal não tem embasamento fático, comprobatório ou legal, já que foi baseado exclusivamente em palavras e planilhas produzidas pelos próprios delatores”
Por Luiz Calcagno

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tem 15 dias para decidir se apresentará denúncia ou pedirá novas investigações contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o pai dele, Cesar Maia, vereador pelo mesmo partido e ex-prefeito da capital carioca. Pai e filho são acusados pela Polícia Federal (PF) de corrupção passiva, falsidade ideológica eleitoral, crime também conhecido como Caixa 3, e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, eles teriam recebido R$ 1,6 milhão de forma ilegal do grupo Odebrecht entre 2008 e 2014. Parte do repasse declarado como sendo do grupo Petrópolis, da cervejaria Itaipava, e de duas distribuidoras de bebidas. O presidente da Câmara negou as acusações, que afirma esterem baseadas apenas em palavras de delatores, e disse confiar no arquivamento do inquérito.
Enquanto o caixa 1 é a contabilidade formal e o caixa 2, a contabilidade informal, no crime de Caixa 3, empresas e candidatos usam estabelecimentos atravessadores para fazer os repasses de campanha. Com isso, políticos se desvinculam de doadores ou recebem verba superior à permitida, por exemplo. De acordo com a PF, “ocorreu a utilização fraudulenta do sistema eleitoral para recebimento de valores indevidos nos anos de 2010 e 2014 pelo ex-prefeito da cidade do Rio de Janeiro Cesar Maia e o deputado federal Rodrigo Maia, nos pagamentos realizados por parte do grupo Odebrecht”, mediante a utilização de empresas.
O relatório conta a partir de 2010, pois os supostos pedidos de dinheiro de dois anos anteriores teriam sido feitos por Maia e o pai não na condição de candidatos, mas, sim, de coordenadores de campanha do Democratas. A Polícia Federal encaminhou o documento ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, que, nesta segunda-feira (26/8), o repassou à procuradora-geral da República. O relatório tem 148 páginas.
A PF sustenta que Rodrigo Maia e Cesar Maia praticaram caixa 3 “ao apresentar apenas as informações de cunho estritamente formal das doações repassadas por empresas interpostas, quando o verdadeiro doador era o Grupo Odebrecht, bem como cometeram o delito de lavagem de dinheiro quando, em 2010 e 2014, ocultaram e dissimularam a origem, com o objetivo de dar lastro e legitimar o recebimento de valores indevidos com as doações eleitorais feitas pelo Grupo Petrópolis e as distribuidoras de bebidas” a pedido da empreiteira.

Corrupção passiva
“Sendo assim, havendo elementos concretos de autoria e materialidade, nas circunstâncias descritas nos tópicos acima, para se atestar que estão presentes indícios suficientes de que o deputado Federal Rodrigo Felinto Ibarra Maia e Cesar Epitácio Maia, vereador da cidade do Rio de Janeiro, cometeram o delito de corrupção passiva ao solicitarem e receberem contribuições indevidas nos anos de 2008, 2010, 2011 e 2014”, prossegue o texto.
O inquérito da PF indicia, ainda, João Marcos Cavalcanti de Albuquerque, ex-chefe de gabinete de César Maia, por corrupção passiva, Walter Faria, sócio-proprietário do grupo Petrópolis, por lavagem de dinheiro, e Roberto Fontes Lopes, distribuidor de bebidas e cliente do grupo de cervejarias, também pelo crime de lavagem de dinheiro.
Por meio da assessoria de imprensa, o presidente da Câmara divulgou nota negando as acusações, baseadas, segundo ele em planilhas de delatores. “Sobre o relatório apresentado pela Polícia Federal, volto a afirmar que todas as doações que recebi em minhas campanhas eleitorais foram solicitadas dentro da legislação, contabilizadas e declaradas à Justiça. Nunca houve pagamentos não autorizados por parte da Odebrecht ou de qualquer outra empresa”, afirmou Rodrigo Maia.
“A conclusão do relatório da Polícia Federal, portanto, não tem embasamento fático, comprobatório ou legal, já que foi baseado exclusivamente em palavras e planilhas produzidas pelos próprios delatores. Eu confio na Justiça e estou seguro que os fatos serão esclarecidos, e este inquérito, arquivado”, concluiu Maia. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o Grupo Petrópolis nem com o advogado de Roberto Fontes Lopes.

Janaína Paschoal dá entrada no Senado com pedido de impeachment de Dias Toffoli

POLÊMICA — Janaina Paschoal sugere que o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, está violando preceito constitucional

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) deu entrada, na quinta-feira 25, num pedido de impeachment contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. A informação é da Veja Online, adiantando que o documento, entregue ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), é uma consequência da decisão do ministro de suspender todos os processos judiciais instaurados sem a autorização da Justiça que envolvam dados compartilhados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e pela Receita Federal.
O pedido é assinado por Janaina e por três integrantes do grupo Ministério Público Pró-Sociedade. São eles: o procurador do MP de Minas Gerais Márcio Luís Chila Freyesleben, o promotor do MP de Santa Catarina Rafael Meira Luz e o promotor do Distrito Federal e Territórios Renato Barão Varalda.
O documento alega que a medida de Toffoli, “além de contrariar a Constituição Federal e diversas leis, trouxe contrariedade ao que foi estabelecido pelo Plenário do STF”. Em outro trecho, os autores do pedido afirmam que a “decisão criminosa” do ministro “poderia ser questionada à exaustão”. “Desde quando é possível paralisar todas as forças de repressão de um país, em uma decisão monocrática exarada em um pedido avulso? Desde quando um presidente do Supremo Tribunal Federal, em meio a tantos pedidos urgentes, despacha, em pleno recesso, petição dessa natureza?”, escrevem.

Suspensão
No último dia 16, o presidente do STF atendeu a um pedido da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), alvo de investigações por parte do Ministério Público com base em relatórios do Coaf que apontam movimentações atípicas do ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz.
Suspeito de ser o operador do esquema conhecido como “rachadinha”, Queiroz trabalhou no gabinete de Flávio na Alerj de 2007 a 2018. Ao longo de 2016, o ex-assessor movimentou 1,2 milhão de reais em sua conta bancária, com uma série de saques e depósitos fracionados considerados atípicos pelo Coaf.
À época, Janaina Paschoal se manifestou em suas redes sociais demonstrando preocupação com os desdobramentos da medida. “Ainda é cedo para avaliar, mas a decisão prolatada pelo ministro Toffoli, na data de hoje, pode significar uma derrota considerável na guerra contra a corrupção e um primeiro passo para anular processos e até condenações. Preocupante!”, disse, em sua conta no Twitter.