DIVERSÃO&ARTE

ILUMINADO

Gugu Liberato foi o padrinho da onda das boy bands no Brasil

Importante nome da história da tevê brasileira, o empresário e apresentador Gugu Liberato foi responsável pelo sucesso de grupos como o Dominó e Polegar
Gugu com integrantes do Polegar: o artista fez da tevê ponto de partida para projetos de sucesso — Imagem: Divulgação

Por Cristiano Freitas

A morte inesperada do empresário e apresentador Gugu Liberato encerra um capítulo importante da história da televisão brasileira. Além da telinha, ele se tornou também padrinho de artistas e iniciativas que marcaram crianças e adolescentes brasileiros, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990.
Gugu, em entrevista concedida ao extinto Programa do Porchat (Record TV), em 2017, falou, por exemplo, como se inspirou na febre Menudo para criar versões brasileiras de boy bands de sucesso, como Dominó e Polegar. Pela sua produtora, a Promoart, lançou os grupos que revelaram nomes como Afonso Nigro, Rodrigo Faro e Rafael Ilha.
As formações, que movimentaram concorridos concursos promovidos por meio das atrações comandadas por Gugu no SBT, arrebataram multidões e colocaram no topo das paradas inúmeras canções. O Dominó teve várias formações e emplacou músicas como “Manequim”, “Baby”, “Baila, Baila Comigo”, “As Palavras”, “Bruta Ansiedade”, entre outras. O Polegar, com direito a idas e vindas, também teve seus êxitos, com hits como “Sou Como Sou”.

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Além do forte apelo infantojuvenil, Gugu fez parcerias com outros artistas que marcaram a infância e adolescência no país. Ao lado de Os Trapalhões, por exemplo, foi um delegado no longa-metragem Os Fantasmas Trapalhões, de 1987. Visionário, o filme contava com a participação do grupo Dominó, parte de uma estratégia de marketing para consolidar a popularidade da banda.
No último filme de Zacarias, Gugu surge como um professor aloprado em Uma Escola Atrapalhada, de 1991. O longa, que reúne nomes como Angélica, é bem juvenil e tem como um dos destaques do elenco o grupo Polegar, outra aposta do apresentador.
Com Xuxa, Gugu também surgiu na tela grande. Ele foi um dos protagonistas de Xuxa e os Duendes, de 2001. Sucesso de bilheteria, o filme ganhou uma sequência em 2002, mas sem a participação do apresentador. Aliás, nos últimos anos, havia um distanciamento entre os artistas.
O fato é que, apesar de algumas mágoas, no show que fez na capital paranaense, no dia 23 de novembro, Xuxa pediu ao público uma salva de palmas em respeito à memória e trajetória do colega de profissão e de emissora. Não poderia ser diferente…

Música
Além de lançar boy bands, Gugu Liberato também emplacou hits que marcaram a infância de muita gente. O artista foi responsável por sucessos como “Baile dos Passarinhos” (imbatível!), “Docinho, Docinho” e “Bugaloo Da-Da”.
Incansável, ele também teve sua própria história em quadrinhos, publicada pela Editora Abril entre 1988 e 1990: Revista do Gugu. Isso sem falar nos brinquedos lançados a partir da grife de programas que comandava no SBT.
Discreto e empreendedor, Gugu começou sua carreira ainda na adolescência, aos 14 anos. Com uma trajetória inspiradora, com certeza merece um capítulo de destaque na história da televisão da brasileira e o reconhecimento do grande público.

Luau na Samaúma entra para o roteiro cultural do Amapá

Com espaço gastronômico, feira de produtos do campo e de artesanato, exposições, poesia, teatro e muita música, do regional ao pop rock, o evento cumpriu seu objetivo, na avaliação dos organizadores, de ocupação dos espaços públicos para fomento da economia criativa com promoção da cultura e lazer à população.

Por Gilvana Santos

Essa foi a opinião do público que participou na noite de sexta-feira (15), da edição de novembro do Luau na Samaúma, na praça em frente a Procuradoria-Geral de Justiça- Promotor Haroldo Franco, no Araxá. A programação organizada pelo Ministério Público do Amapá (MP-AP), Prefeitura de Macapá (PMM), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amapá (Sebrae/AP) e Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), no entorno da samaumeira, contou com vasta programação multicultural, desde o final da tarde.
O serventuário da Justiça, Antonivaldo Cambraia, acompanhado da família e amigos, participou pela primeira vez do Luau e elogiou a iniciativa. “Gostei muito. É uma programação bem diversificada que incrementa vários setores da economia”, comentou.
A procuradora-geral de Justiça, Ivana Cei, o prefeito Clécio Vieira, o superintendente do Sebrae/AP, Waldeir Ribeiro, e o secretário da Secult, Evandro Milhomem, participaram ativamente de todas as etapas até a realização do evento.
“Colocamos novos espaços instagramáveis, a praça de alimentação ganhou novo ambiente para as oficinas de mini chefs, e aqui também não poderia deixar de citar a colaboração da Maçonaria que gentilmente nos cede o espaço da sede campestre para que os participantes do Luau possam ter um estacionamento seguro e gratuito. Mais uma realização bem-sucedida e todas as equipes estão de parabéns”, manifestou Ivana Cei.

As alfinetadas cômico-reflexivas do filme francês ‘Luta de Classes’

Paul (Edouard Baer), Sofia (Leïla Bekhti) e o filho Corentin (Tom Lévy): família vive em ambiente fértil de diversidade — Imagem: Reprodução

Por Tiago Bubniak

Em determinado momento do filme francês Luta de Classes (2019), do diretor Michel Leclerc, o menino Corentin (interpretado por Tom Lévy), joga-se em um aquário pouco maior que ele. O gesto assusta os pais, claro. Quando eles perguntam para o filho o motivo dessa ação irresponsável, Corentin não demora para responder, com aquela típica sinceridade das crianças: medo do inferno. Ao dar mais detalhes, Corentin comenta que, na escola, alguns colegas disseram que o diabo viria pegá-lo com um tridente porque ele era… ateu. Ou, pelo menos, dizia que era ateu, repetindo o que ouvia em casa.
Paul (Edouard Baer) e Sofia (Leïla Bekhti), os pais de Corentin, vão além da relativização da religião na vida das pessoas. Eles defendem a escola pública e mantêm o filho em uma delas, mesmo tendo condições de pagar um colégio particular; lutam pela igualdade e por justiça social; desprezam o racismo, a homofobia e toda forma de preconceito. Assumem, portanto, um comportamento de ideias progressistas. Mais Paul, é verdade. Sofia acaba indo no embalo do marido e, em algumas ocasiões, acha que Paul (baterista frustrado de uma pequena banda de rock que não fez o sucesso inicialmente esperado por seus integrantes) exagera um pouco.
Se, por um lado, todo esse conjunto de ideias progressistas e que movem ações progressistas é altamente louvável por tentar pôr em prática a famosa tríade “liberdade, fraternidade e igualdade”, tão cara aos franceses, por outro, pode deslizar para o extremismo, o chato, o desagradável e o incômodo. E é justamente aí que parece residir o centro da proposta de Luta de Classes: criticar tanto os excessos do politicamente correto quanto a imensa criação de rótulos para classificar e excluir grupos humanos, bem como a dificuldade para lidar com tudo isso. São esses excessos, enfim, que fomentam a redução do espaço para o diálogo, a negociação e o consenso, comprometendo a boa convivência.
Um menino jogando-se em um aquário com medo do diabo por achar que é ateu diante da argumentação de colegas cristãos e muçulmanos pode tranquilamente ser considerado um bom exemplo do quanto a “taxonomia social” exagerada pode ser tóxica. É o que o filme tenta criticar de forma séria, mesmo em meio a alguns incentivos ao riso inseridos aqui e ali no decorrer do roteiro, elaborado pelo próprio Leclerc e por Baya Kasmi.
Luta de Classes é, na verdade, apenas mais um entre tantos exemplares do cinema francês que trabalha com essa complexa dinâmica entre a busca de respeito, liberdade e igualdade, por um lado, e o crescimento da intolerância, por outro. Afinal, essa dinâmica está fortemente presente na realidade histórica do país que é berço do cinema.
O lema tão precioso para os criadores da sétima arte (“liberdade, fraternidade e igualdade”), nascido do Iluminismo, serviu de inspiração para a Revolução Francesa. Mais tarde, em 1948, difundiu-se para o planeta ao inspirar, também, a Declaração Universal dos Direitos do Homem, proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Por outro lado, a França vive o crescimento da intolerância, principalmente voltada aos imigrantes. É um ódio causado por crise econômica, onda de refugiados (sobretudo muçulmanos) e medo do terrorismo.
Com personagens verborrágicos, o roteiro de Luta de Classes dispara termos e expressões como princípios, fascista, “reaça”, negro, muçulmano, terrorista, direita, esquerda, igualdade, ideais, intolerância, sistema absurdo, homossexual, ateu, católico, importância da diversidade para a imagem de uma empresa. Existe até uma “parada temática” organizada com alunos do fundamental com direito à marchinha brasileira Ó Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga. É a pequena pincelada latina, mesmo que suave, nesse fertilíssimo caldo de diversidade e multiculturalismo.