ESPORTES

INSEGURANÇA

A degola de técnicos no futebol nacional expõe instabilidade profissional

Contrato não garante aos treinadores segurança no emprego. A obtenção de bons resultados nas competições é fator preponderante para seguir trabalhando
Fonte: EsporteR7

Recentemente, num abraço entre Ney Franco e Abel Braga, no jogo entre Goiás e Cruzeiro, Abelão disse que a “vida de técnico está f…”. Ele se referia à rodada anterior do Brasileirão, em que quatro colegas foram demitidos em menos de 24 horas.
Na contramão da modernização do futebol brasileiro, que tenta transformar times em clubes-empresa e o implementou uso do VAR, ainda há resquícios de amadorismo. Cuca deixou o São Paulo após cinco meses de trabalho. Rogério Ceni caiu no Cruzeiro. Zé Ricardo foi trocado no Fortaleza. Oswaldo de Oliveira foi dispensado do Fluminense.
O Estado ouviu treinadores e especialistas para analisar o que ocorre nesta relação. Alguns sintomas parecem evidentes. A saúde tem tirado profissional da beira do gramado. Muricy Ramalho parou. Cuca não quer correr riscos. Ele “saiu” do hospital para assumir o São Paulo e não suportou a pressão. Muitos dirigentes ainda continuam tomando decisões em cima dos resultados do dia. Ganhou, fica. Perdeu, vai embora. Os trabalhos dos técnicos também não são dos melhores.
Fernando Pires, presidente da Associação Brasileira de Treinadores de Futebol (ABTF), acredita faltar ética entre os próprios técnicos e vê omissão na CBF. “Existe um mercado fechado de técnicos. Vão de um clube para outro. Entre eles está faltando ética. Não dá só para culpar clubes. Se houvesse mais respeito, talvez não acontecessem casos como esses recentes.”
Na opinião de Pires, clubes e treinadores deveriam ao menos cumprir a lei 8.650/1993, do Treinador Profissional de Futebol, que determina como tempo mínimo de contrato o prazo de três meses. Ceni e Zé Ricardo não ficaram nem isso em seus últimos trabalhos, no Cruzeiro e Fortaleza, respectivamente. “Se o técnico é chamado para substituir um companheiro que foi demitido antes desse período, ele deveria pensar duas vezes. O mesmo pode acontecer com ele”, afirma.
Há em estudo projeto de lei, chamada Caio Jr. (em homenagem ao técnico morto no acidente da Chapecoense), que tem como objetivo modernizar as leis trabalhistas. Jair Ventura, desempregado desde dezembro, quando foi demitido pelo Corinthians, diz que os técnicos precisam ser amparados pela legislação. “Os treinadores têm de serem reconhecidos como profissionais. A legislação tem de limitar o número de trocas por times. Dois treinadores no máximo por temporada”, diz. “Outro ponto é fazer os clubes cumprirem os contratos dos treinadores, como ocorre com os jogadores.”
Este ano, a CBF obrigou todo treinador da Série A a fazer o curso Pro da entidade. O presidente da ABTF criticou a decisão.“Isso é um absurdo. O exemplo de que está tudo uma bagunça é o que aconteceu com o Cuca. Para assumir o São Paulo, mesmo com sua experiência, precisou se matricular no curso.” Para ele, a entidade deveria ter o papel de monitorar o que ocorre na profissão. “A CBF é uma entidade privada, ela regulamenta a competição, não faz lei. A lei em vigor diz o que deve ser cumprido.”
A CBF respondeu ao Estado não ter qualquer relação com a ABTF e que reconhece apenas a Federação dos Treinadores, que não atendeu a reportagem.

CBF promete liberar imagens do VAR no 2º turno do Brasileiro


PROJETO NOVO — Imagens do VAR poderão ser compartilhadas com telespectadores e torcedores durante conferência da jogada pela arbitragem

Durante um balanço da utilização do árbitro em vídeo (VAR) nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro apresentado recentemente, a CBF prometeu liberar as imagens às quais o árbitro tem acesso a partir do segundo turno da competição.
“Os telespectadores terão acesso às imagens do VAR. Estamos estudando a possibilidade de mostrar também no estádio, pelo telão. O público terá total ciência do que o árbitro está checando no monitor. É um projeto novo”, disse o presidente da comissão de arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba.
Atualmente, os vídeos analisados pela arbitragem nos lances ocorridos durante as partidas não são mostrados pela televisão e nem no estádio. A transmissão de TV espera a definição dos árbitros para poder repetir as imagens aos telespectadores.
Essa transmissão daquilo que o árbitro analisa começou a ocorrer nesta temporada Campeonato Inglês. Desta forma, enquanto ocorre a revisão do lance, a transmissão oficial já mostra as imagens em questão para quem está no estádio e também para quem assiste pela TV.
De acordo com os números mostrados pela CBF, dez erros capitais passaram despercebidos mesmo com o uso do vídeo nas 14 primeiras rodadas disputadas do campeonato, 78 a menos do que a confederação afirma ter ocorrido em 2018 na mesma etapa da competição.
“É uma melhora de 90%. Eu enxergo o copo meio cheio. O auxílio do VAR é indispensável hoje em dia. Os acertos da arbitragem brasileira crescem, a reclamação dos clubes diminuiu muito”, afirmou Gaciba.
Ainda segundo a CBF, o VAR foi utilizado em 851 lances, uma média de 6,12 consultas à tecnologia por partida. Foram 764 checagens em 139 jogos (média de 5,5 por partida), além de 87 revisões. As mudanças de decisões pelo uso do árbitro em vídeo, no total, chegaram a 69.
“A maioria das decisões tomadas em campo são aceitas pelo árbitro de vídeo. Foi necessária uma revisão em 10%”, disse Gaciba.
Segregando pelos tipos de lance, houve 15 impedimentos corrigido para gol, oito gols validados após terem sido anulados por impedimento, 20 pênaltis marcados depois de revisão e sete penalidades desmarcadas após consulta ao VAR.
Também houve três gols anulados por uso da mão pelo atacante, cinco cartões vermelhos aplicados e dois retirados após a revisão, três erros de identificação corrigidos, dois adiantamentos do goleiro em pênalti e quatro faltas em lance de ataque.
A CBF também apontou que o VAR diminuiu o tempo médio de bola rolando em 40 segundos em comparação com a temporada passada.
O tempo de revisões, de acordo com a comissão de arbitragem, ficou com 1min54seg de média e precisa ser reduzido. Na Copa do Mundo de 2018, a média foi de 1min21seg por jogo.
A ferramenta do VAR custa cerca de R$ 50 mil por partida.

No Paysandu, grupos se digladiam com acusações de traição

SEMPRE FIEL — O engenheiro Ricardo Gluck Paul comanda o Paysandu desde janeiro. Tem como vices Ieda Almeida, de operações, e Carlos Maurício Ettinger, de planejamento
Por Nilson Cortinhas

Um mês depois da reunião entre o presidente do Paysandu, Ricardo Gluck Paul, com ex-presidentes do Papão como Luiz Omar Pinheiro, Vandick Lima, Alberto Maia e Rui Sales, uma conclusão já é fato: a unidade entre atuais gestores e ex-presidentes do Paysandu não passou de um ‘balão de ensaio’.
Ricardo Gluck Paul, por exemplo, desaprovou a conduta de um ex-presidente, que foi Alberto Maia. Ele relatou parte do que foi conversado em contatos com interlocutores, inclusive, nas suas próprias redes sociais. Além disso, uma exigência de Alberto Maia era a demissão imediata do diretor executivo, Felipe Albuquerque. Gluck Paul não atendeu á exigência. Luiz Omar também considerou o pedido precipitado.
Depois da reunião, especulou-se que Vandick Lima, Rui Sales e Luiz Omar Pinheiro cuidariam do futebol. No entanto, a proposta não foi confirmada. Luiz Omar Pinheiro também ajudaria no processo de construção do Centro de Treinamento do Paysandu, cuja obra está paralisada em Ananindeua, região Metropolitana de Belém. Já Alberto Maia seria um dos gestores da marca Lobo. Nada foi encaminhado.

CRISE FINANCEIRA E DESENTENDIMENTOS
Ricardo Gluck Paul revelou que a ideia da reunião era esclarecer que chegou ao fim o grupo intitulado ‘Novos Rumos’. “Eu pretendia passar a todos a ideia de um manifesto, assinado pelos presidentes. O momento do Paysandu não é bom financeiramente. E precisamos repassar, para o meio externo, que estamos juntos em prol do Paysandu”.
Foi debatido pelo gestor e ex-gestores o projeto da concessionária de energia, em que o torcedor pode contribuir mensalmente com o Bicolor. “Se 5% a 10% dos torcedores aderirem, melhoraríamos muito a nossa condição financeira”, argumenta Ricardo.
Dado o apelo e boa imagem que Vandick Lima tem junto aos bicolores, ele seria uma espécie de garoto propaganda, em ações in loco em bairros pela cidade. O projeto não saiu do campo das ideias e o Paysandu ainda não arrecada como o planejado em função de divergências políticas.
“O problema do Paysandu é colocar o interesse pessoal acima do interesse do próprio Clube. Há pessoas que fazem isso”, disparou Gluck Paul.

Além do anúncio público considerado precipitado pela atual direção bicolor, ainda há que se considerar alguns situações não esclarecidas, sobretudo, com relação à gestão de Alberto Maia.
Durante a semana, Maia conversou com a reportagem e garantiu que deixou o Paysandu em 2016 com as contas devidamente pagas. “Tenho como provar”, garantiu. O problema, no entanto, foi referente a um adiantamento de cotas feitas pela sua administração, que prejudicou os presidentes que o sucederam: Sérgio Serra, Tony Couceiro e o próprio Ricardo Gluck Paul. O assunto é comentado internamente dentro do Paysandu, mas tratada com o sigilo que o caso requer. A informação é que o adiantamento de cotas e taxas da marca Lobo foram na ordem de R$ 5 milhões.

DÍVIDA COM EX-ATACANTE
Um assunto que gera preocupação diz respeito ao acordo firmado com o atacante Bruno Veiga, também na gestão Alberto Maia. Com contrato longo, pagamento de luvas e um bom salário, ficou inviável o pagamento do acordo na sua totalidade. Ricardo Gluck Paul disparou: “O Bruno Veiga é o novo Arinelson, da Curuzu”, disse, preocupado.
Maia comentou o assunto. “Posso provar que deixei tudo pago: os direitos de imagem e os salários de todos os jogadores. Não sei lhe afirmar o que fez o presidente que me sucedeu”, disse.
Arinelson jogou menos de 90 minutos pelo Paysandu em 2004. De acordo com informações, ganhava R$ 6 mil mensalmente. E teve o contrato quebrado com multa rescisória de R$ 1,8 milhão. O valor dobrou considerando os juros. Arinelson se aposentou e tem direito a ganhar R$ 60 mil mensais. Recentemente, o Paysandu tentou renegociar a dívida, alargando-a, ainda sem êxito.

A reportagem localizou o presidente do Paysandu, Ricardo Gluck Paul, que não citou nomes de imediato. Com o desenrolar da conversa, porém, revelou mágoa com Alberto Maia, sobretudo, em assuntos relacionados ao departamento de futebol profissional. “Em 2015, o Paysandu foi eliminado duas vezes para o Remo, foi quarto lugar no Campeonato Paraense. E nós, eu e o Tony (Couceiro), tínhamos o controle do Conselho (Deliberativo). Seguramos a barra e falamos ao Maia: continue o seu trabalho. O inverso não aconteceu. Quando tivemos dificuldade, ele fez colocações em redes sociais. Senti-me traído”, frisou.

A escolha do Catar como sede da Copa de 2022 pelos membros do comitê executivo da Fifa foi um dos estopins da grave crise que abala a entidade desde 2015.
Em outubro de 2015, o ex-presidente da Fifa Sepp Blatter acusou a França. O dirigente suíço mencionou um “acordo diplomático” para que os Mundiais de 2018 e 2022 acontecessem na Rússia e Estados Unidos, mas este plano fracassou após “a interferência governamental de Sarkozy”. O ex-presidente francês nega qualquer intervenção.
Suíça e Estados Unidos também iniciaram investigações relacionadas ao processo de escolha das sedes das duas Copas.

Pesquisa aponta que 38% de jogadores em atividade no mundo já sofreram sintomas de depressão ou ansiedade

DOENÇA SILENCIOSA — Estudo da Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol revela que 38% dos jogadores de futebol sofrem de depressão
Por Lucas Mota

Redução do estresse é um dos inúmeros benefícios da prática esportiva. Entretanto, nem mesmo o esporte com toda a sua conexão ao bem-estar está imune ao mal do século. O recorte do cenário do futebol sobre a recorrência do transtorno assusta. Uma pesquisa da Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FifPro), de 2015, aponta que 38% de jogadores em atividade – de uma amostra de 607 profissionais – e 35% de ex-futebolistas – de 219 – já sofreram ou ainda sofriam com sintomas de depressão e/ou ansiedade no mundo.
Conforme a organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão. Fazendo um paralelo, a amostra do futebol tem uma tendência a apresentar porcentagem bem acima da prevalência de 4,4% da doença na população mundial.

TRAJETÓRIA INTERROMPIDA PELA DOENÇA
Nilmar tinha uma carreira de sucesso quando chegou ao Santos em 2017. O atacante, então com 33 anos, carregava no currículo títulos importantes por Corinthians e Internacional, passagem bem-sucedida pela Europa e futebol árabe, participação na Copa do Mundo de 2010. Era dono de uma carreira consistente e também já estava realizado financeiramente. Porém, nada disso impediu que sua vida mudasse rapidamente.
Sem forças para treinar e sem vontade de jogar, Nilmar deixou o Santos após três meses, tendo atuado em dois jogos e por apenas 39 minutos. O atacante, que enfrentou grandes defensores e superou cirurgias complicadas durante sua trajetória, tinha pela frente o adversário mais difícil de sua vida: a depressão.
Em entrevista a Roger Flores, amigo e ex-companheiro de Corinthians, Nilmar falou pela primeira vez sobre a doença. Há um ano e sete meses sem jogar, ele explicou que dificilmente voltará aos gramados. Mas diz estar curado (e atento) e agradece ao apoio da família.

A pesquisa da FifPro aponta que os transtornos de saúde mental têm prevalência maior em jogadores que sofreram três ou mais lesões graves durante a carreira. Apesar dos dados preocupantes colhidos em 2015, o futebol brasileiro se mostra inerte em relação ao assunto após três anos. Em levantamento recente com profissionais da área, apenas cinco clubes dos 20 da Série A do Campeonato Brasileiro têm departamento de psicologia funcionando nas instalações da agremiação esportiva em atuação com o elenco principal. É comum a presença desse setor apenas na base.
Conforme a psicóloga Liana Benício, a cada temporada tem sempre jogador apresentando sintomas de depressão. Ela conta que o ambiente altamente competitivo traz um peso para a saúde mental dos jogadores, que sofrem com a cobrança e a exposição excessiva à mídia e torcida. “O esporte é agravante. São exigidos 100% o ano inteiro e visto como máquinas, mas são humanos”, diz.
Segundo Liana, 80% do ambiente futebolístico ainda tem preconceito em relação ao tema depressão. Por isso, ela ressalta a importância de ter psicólogos dentro dos clubes. “É bem comum (a prevalência da doença). Muitos jogadores não falam. Os clubes não se preocupam em ter um setor de psicologia. Há um tabu com a saúde mental, falam que é frescura, que não precisa disso. É uma doença séria que, negligenciada, acaba com a vida das pessoas.”

Cuidados com o esporte olímpico

VICENT GOUTTEBARGE FALA SOBRE A PESQUISA
O ex-jogador de futebol e médico Vincent Gouttebarge é o responsável pela condução da reveladora pesquisa da Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FifPro). Em entrevista exclusiva via e-mail, o francês fala sobre o estudo e a necessidade de psiquiatras nos clubes para tratar os atletas.
É possível identificar qual o país com o maior número de casos de depressão de jogadores?
Vincent Gouttebarge – Não é possível. Eu acredito que não há muita diferença entre os países.
No levantamento da pesquisa, jogadores brasileiros foram ouvidos? Quantos?
Vincent – Não houve nenhum jogador brasileiro envolvido no estudo.
Aqui no Brasil, são raros os clubes que possuem psicólogos, mesmo com números tão elevados de casos de depressão no esporte. Por que você acha que os clubes não têm esse cuidado com os jogadores?
Vincent – Psicólogos em clubes são psicólogos do esporte e não psiquiatras: eles se concentram no aprimoramento das performances e não no lado negativo da saúde mental. Os clubes são mais propensos a ter psicólogos olhando para o lado positivo da saúde mental, a fim de melhorar o desempenho dos jogadores. Do lado negativo da saúde mental, há muito mais a fazer e os psiquiatras devem ter um lugar dentro da equipe médica dos clubes profissionais.
Na Europa, os clubes possuem psicólogos?
Vincent – Alguns clubes, mas principalmente focando em performances.
O que o senhor acredita que é preciso para diminuir o número de jogadores de futebol com depressão?
Vincent – Precisamos falar e ter jogadores que falem livremente sobre seus problemas de saúde mental, pois falariam sobre uma lesão no tendão. Isso é favorável para quebrar o estigma e aumentar a conscientização. Esse é um primeiro passo. Em segundo lugar, precisamos ter equipe médica interdisciplinar com psiquiatras (ou psicólogos clínicos). Terceiro, precisamos capacitar as habilidades de enfrentamento dos jogadores para que eles sejam capazes de lidar de maneira ideal com os estressores que ocorrem na vida.

Medalhar em uma edição de Olimpíada é o ponto máximo da carreira de um atleta olímpico. A trajetória do esportista é cercada de cobranças por resultados em um ambiente de alta competitividade, assim como no futebol, que podem desencadear em problemas psicológicos.
Visando a saúde mental, o bem-estar e a performance dos atletas, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) possui um serviço de preparação que acompanha os principais nomes das modalidades olímpicas. “O atleta é uma pessoa e também é acometido pela depressão, não é diferente da população. O ambiente do esporte é repleto de facilitadores para desordens psicológicas. Ainda existe o imaginário de que atleta é herói, semideus”, diz a coordenadora da ação do COB, a psicóloga Aline Wolf.
Segundo a profissional, reuniões periódicas são realizadas com os psicólogos particulares dos atletas para o planejamento de estratégias e o fortalecimento da relação no processo de acompanhamento do tratamento. Aline explica que o trabalho vai além da preparação mental focada na performance, mas também na saúde psicológica do esportista.

Para a psicóloga do COB, há bastante desinformação sobre o tema depressão no esporte. “Tem muita psicofobia. Associam a doença a fraqueza, o que não é uma verdade absoluta, é uma condição clínica que tem tratamento e o atleta consegue atuar normalmente”, analisa.
Apesar disso, Aline tem uma visão otimista sobre o tratamento dos atletas, de que o ambiente de preconceito passa a dar lugar para iniciativas relevantes. Entre os exemplos citados por ela, estão as medidas educativas do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da NBA (liga norte-americana de basquete) com orientações para o tratamento e a prevenção de transtornos mentais. “Está sendo mais discutido, o que é muito positivo. Estão crescendo essas ações. Ainda é preciso quebrar o paradigma de que o atleta é intocável.”
O COB desenvolve também o Programa de Carreiras do Atleta (PCA), do Instituto Olímpico Brasileiro (IOB), que visa a capacitação na transição de carreira. O presidente da Comissão de Atletas do COB, o ex-judoca medalhista olímpico Tiago Camilo destaca a inciativa, mas vê a necessidade de avanço sobre o tema depressão no esporte e da criação de programas que auxiliem melhor o esportista.
Enquanto atleta, Tiago conta que nunca sofreu qualquer tipo de distúrbio. Por outro lado, o ex-judoca diz ter tomado conhecimento de “vários casos dentro e fora do Brasil”.
De acordo com ele, a Comissão vai incluir o tema entre as suas pautas, relacionado ao programa de “destreinamento” para encerramento de carreira competitiva.

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