REGIONAL

Internautas dizem que FAF virou feudo político

UM DIRIGENTE QUASE VITALÍCIO
O ex-deputado federal Roberto Góes está no exercício de seu quarto mandato à frente da Federação Amapaense de Futebol (FAF), cargo para o qual foi reeleito no fim do ano passado e do qual tomou posse, em evento super discreto, em janeiro. Nos últimos anos, o futebol amapaense entrou em acelerado processo de decadência, perdendo o brilho que ostentava em décadas passadas, quando chegou a figurar entre os de maior prestígio da região Norte. Por conta desse retrocesso, internautas, ex-jogadores, antigos e atuais dirigentes começam a defender ampla reformulação na estrutura administrativa da FAF, com a promoção de nova eleição e consequente saída do presidente Roberto Góes. O assunto é tema reccorrente nas redes sociais e todos concordam que a “vitaliciedade” de Góes deve ser imediatamente interrompida.
Por Emanoel Reis

Para muitos influenciadores digitais, o futebol amapaense está em declínio porque a Federação Amapaense de Futebol virou feudo político do ex-deputado federal Roberto Góes (PDT). A premissa é verdadeira ou falsa? Quem acompanha o desenrolar dos acontecimentos no Amapá, certamente não titubeará em escolher a primeira opção como resposta para a pergunta. Há quase quinze anos, a FAF é controlada com mão-de-ferro pelo pedetista, que vem sendo sucessivamente reeleito para a presidência da entidade, em comum acordo com os demais integrantes da mesa diretora, todos escolhidos a dedo pela anuência e empenho no papel de coadjuvantes numa estrutura organizacional de fazer inveja ao presidente da Coreia do Norte, Kim Jong-un.
Com uma trajetória política recheada por polêmicas e denúncias de malversações, Roberto Góes já foi vereador, deputado estadual, prefeito de Macapá e deputado federal. E desde janeiro passado, exerce o quarto mandato como gestor da FAF. Por determinação dele, a cerimônia de posse foi discreta, somente veiculada, sem estarlhaço, nas mídas cuidadosamente escolhidas para a cobertura do evento. Ao discursar, após anunciar o início do quarto mandato, relacionou os “avanços” e “conquistas” para o esporte amapaense obtidos em suas gestões. A claque o aplaudiu de pé.

CRÍTICO DECLARADO
O incluenciador digital Epaminondas Pelaes tem repercutido nas redes sociais, principalmente no Facebook, as decisões controversas do presidente da FAF, Roberto Góes. A mais recente, segundo Pelaes, teria sido a decisão polêmica que Góes tomou ao ausentar-se do cargo e deixar o filho no lugar.

Nas redes sociais, esses “avanços” e “conquistas” são veementemente questionados, e, para embasarem argumentos nada favoráveis ao presidente da FAF, os internautas contrariados apontam a decadência do futebol amapaense, citam a falência de clubes tradicionais e exemplificam com queixumes de antigos e atuais dirigentes.
O mais contudente deles é o internauta Epaminondas Pelaes. Em recente postagem no Facebook, ele revela que semanas atrás, após ausentar-se da entidade, Roberto Góes teria deixado o próprio filho ocupando a presidência. Seguidores de Pelaes reagiram imediatamente. Hilton Alencar sugeriu uma nova eleição “para colocar pessoas competentes para fortalecer o futebol do Amapá que está abandonado”. Paulo Sérgio Gahmã detonou um petardo mais devastador. Segundo comenta, a FAF virou uma “capitania hereditária”. E ironizou: “Tá que nem catapora, quando pega num passa pra família toda”.
É público e notório que Pelaes é um crítico declarado da “perpetuação” de Góes na presidência da FAF. Segundo afirma, o ex-deputado federal deveria reconhecer a própria inaptidão como gestor e promover nova eleição. E, sem subterfúgios, converte sua indignação em palavras: “Senhor Roberto Góes, ex-deputado federal e ex-prefeito de Macapá, tenha vergonha na cara e vá se curar dessa síndrome de incompetência”.
Em outra postagem, Epaminondas Pelaes discorre sobre a fracassada abertura do Campeonato de Futebol Profissional do Amapá 2019, o Amapazão, realizada na noite de quatro de julho, no Estádio Milton de Souza Corrêa, o Zerão. Conforme descreve, “quase não existia viva alma para prestigiar o evento” numa alusão à baixissíma frequência de público. E aponta culpados: desorganização e incompetência dos dirigentes da FAF.
Como já ficou bem entendido, o incluenciador digital não está sozinho nessa cruzada contra a vitaliciedade de Roberto Góes na presidência da FAF. Para Hilton Alencar, o futebol amapaense “está em decadência” e sugere, na mesma postagem, nova eleição na entidade. “Chega da incompetência de Roberto Góes”, brada Alencar.
O declínio do futebol amapaense também foi um dos assuntos no recente encontro entre o jornalista Paulo Silva e o empresário Luciano Marba, fundador e dirigente do Santos Futebol Clube. Silva comentou eu seu twitter (@PauloSilva1955) que Marba estaria decepcionado com os rumos do futebol profissional no Estado e, por isso, decidira que o clube ficará fora da competição estadual de 2020. “Empresário Luciano Marba me disse agora de manhã [4 de julho] que este pode ser o último ano do Santos no campeonato amapaense de futebol. Ele se queixa da falta de apoio”, assinalou Silva.

Anúncios