GERAL

CARNE DE LABORATÓRIO

Respondendo a demanda por mais alimentos, carnes sintéticas ganham mercados

Cerca de 30 empresas no mundo que se dedicam exclusivamente a recriar, por meio de células e membranas animais, carnes idênticas às consumidas hoje em dia
Sanduíches com carne vegana foram apresentados em feira de tecnologia em Las Vegas para teste dos bifes — Foto: Juliett Michel/AFP

Por Nelson Cilo

Poucos desafios são tão urgentes para a humanidade quanto desenvolver fontes alternativas de alimentos. O aumento da população, a preservação do meio ambiente e questões éticas ligadas ao respeito aos animais têm levado cientistas a buscar novas dietas capazes de suprir a fome do planeta.
Nesse contexto, a substituição da carne tem sido a maior preocupação dos pesquisadores. Na última década, o mundo avançou muito no desenvolvimento de carnes vegetais, mas elas também podem afetar o meio ambiente, na medida em que exigem grandes quantidades de terra para o plantio das sementes.
A nova frente das pesquisas nessa área são as carnes produzidas em laboratório, chamadas no mercado de “carnes sintéticas” ou, num sentido pejorativo, de “carnes fakes.” Para os cientistas, elas são conhecidas como “clean meat” (carne limpa) ou “cultured meat” (carne de cultura).
Uma pesquisa recente feita pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, identificou 30 empresas no mundo que se dedicam exclusivamente a recriar, por meio de células e membranas animais, carnes idênticas às consumidas hoje em dia – mas com a vantagem de não causar sofrimento a nenhum animal.
“Sempre haverá pessoas criando e comendo animais”, disse em uma palestra nos Estados Unidos o cardiologista Uma Valeti, fundador da startup Memphis Meats, uma das principais empresas de carnes sintéticas do mundo. “Mas, pela primeira vez na história da humanidade, estamos perto de oferecer em larga escala um bife suculento, igualzinho à carne da vaca que estava pastando no campo, mas que foi 100% criado em laboratório.”
Valeti diz que não entrou nesse ramo apenas para minimizar a dor imposta aos animais. “Claro que isso conta, mas o que me motivou de verdade é a questão maior que está por trás disso, que é a preservação do planeta”, afirma o executivo. Ele lembra que tem recebido cada vez mais entusiastas do tema. Antes, suas palestras eram vistas apenas por “nerds e hippies.” Agora, tem sido cada vez mais comum encontrar executivos de grandes corporações.
A Memphis Meats conta com investidores pesos-pesados, como Bill Gates, fundador da Microsoft, e Richard Branson, criador da Virgin. Uma das maiores empresas de alimentos do mundo, a americana Cargill também desembolsou algumas dezenas de milhões de dólares na Memphis Meats, na tentativa de se aproximar de uma atividade que pode se tornar o grande negócio do futuro.
O fundador da Memphis Meats virou uma estrela pop das carnes sintéticas. Nos seminários, ele apresenta uma série de indicadores que contam a favor de sua atividade, sempre com certa dose dramática. “Uma única vaca viva consome 11 mil galões de água por ano e, apenas nos Estados Unidos, a agricultura animal é responsável por 4% dos gases do efeito estufa”, diz ele.
Isso sem contar, sempre nas palavras do empresário, os excrementos do gado que poluem o solo e a proliferação de antibióticos que estão contribuindo para o surgimento de superbactérias. Ou seja, salvar o planeta passará certamente pela redução do consumo de carne viva – e a carne de laboratório surge justamente para ocupar esse espaço.
Os avanços têm sido notáveis nessa área. No início de outubro, a israelense Aleph Farms informou que conseguiu produzir carne na Estação Espacial Internacional, a 400 quilômetros de distância da Terra. Segundo a empresa, o seu método de produção de bifes baseia-se na imitação, sob condições controladas de laboratório, do processo natural de regeneração de tecidos musculares que ocorre dentro do organismo da vaca.
“Esse experimento marca um primeiro passo significativo para garantir a segurança alimentar das próximas gerações, preservando nossos recursos naturais”, disse Didier Toubia, fundador e presidente da Aleph Farms. “Nosso trabalho permite o acesso incondicional a carne segura e nutritiva, com a vantagem de utilizar recursos mínimos.”
A Europa é um dos centros mais avançados na pesquisa de carnes sintéticas. Recentemente, cientistas da Universidade de Oslo, na Noruega, assumiram uma missão hercúlea: organizar o primeiro banco de células de animais do mundo. A ideia não poderia ser mais ambiciosa. De um lado, os pesquisadores pretendem mapear e salvar espécies ameaçadas de extinção. De outro, desenvolver o cultivo de carne em laboratório – o que vem sendo feito com sucesso.
Funciona assim: os cientistas isolam células de bovinos que têm a capacidade de se regenerar. A seguir, essas células são colocadas em grandes tanques biorreatores e recebem oxigênio e nutrientes como açúcar e minerais. Depois de alguma semanas, elas se transformam em tecidos musculares. Mais adiante, estão prontas para o consumo.
A promessa de carne cultivada em laboratório para substituir o gado ainda está longe de ser cumprida. Nenhuma empresa no mundo está pronta para produzir, in vitro, um volume de carne sintética capaz de abastecer supermercados e restaurantes. Por enquanto, os custos também são altos demais para fabricar um simples bife, mas a tendência é que eles diminuam à medida em que novas empresas e tecnologias surgirem no mercado. Uma aposta do mercado é que, até 2022, redes de supermercados comecem a vender carnes sintéticas.

Efeitos
Apesar de a carne produzida em laboratório ser provavelmente um caminho sem volta, a ciência não forneceu todas as respostas que envolvem o assunto. Até agora, não existem pesquisas abrangentes sobre os efeitos do consumo regular de carne que foi fabricada artificialmente, embora as empresas assegurem que elas são 100% seguras para a dieta humana.
Também pairam dúvidas sobre a regulamentação pelas autoridades. As carnes artificiais devem ser enquadradas nos mesmos critérios adotados para os grandes frigoríficos? Ou elas precisam de novos parâmetros? Alguns analistas chamaram a atenção para a questão ética. Se é possível fabricar um bife, quanto tempo levará para a humanidade criar um animal inteiro? Anos, décadas ou séculos? Ou isso nunca será possível? Mesmo se essas perguntas não forem respondidas – talvez nunca sejam –, a carne artifi cial cer tamente ganhará cada vez mais espaço.

Para Mourão, Brasil corre risco de perder o Amapá para a França

Hamilton Mourão fez o alerta sobre antigo interesse da França pelo Amapá após receber informações secretas da ABIN

Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que é preciso esgotar todas as possibilidades de recurso (trânsito em julgado da condenação) para o início do cumprimento da pena de prisão, pode ser solto em breve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde 7 de abril do ano passado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, após ter sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), no caso do tríplex do Guarujá (SP). A soltura imediata do petista já foi pedida pela defesa.
No entanto, a professora de Direito Constitucional, Lara Marina Ferreira, explica que ele não pode ser candidato. Isso porque a impossibilidade de candidatura dele não deriva do fato de a pena estar sendo executada ou não. “A inelegibilidade decorre de uma decisão de órgão colegiado. E isso ocorreu no ano passado, com a confirmação da condenação dele pelo TRF-4. Portanto, a inelegibilidade já está caracterizada.”
Sendo assim, apenas se o processo fosse anulado, como requer os advogados de Lula, a inelegibilidade deixaria de existir. Sobre a anulação, Lara Ferreira ressalta que seria preciso averiguar que atos processuais teriam sido violados com a prisão dele ou com outras violações à Constituição. “Não dá para chegar à conclusão automática de que com a decisão do STF o processo dele já estaria anulado. Vai ter que se verificar, caso a caso, e se há algum prejuízo efetivo ao contraditório e à ampla defesa.”

Hoje pastor, ex-delegado do DOPS vira réu por queimar corpos na ditadura

Cláudio Guerra relatou em detalhes os crimes que praticou no exercício do cargo de delegado do DOPS
Por Anna Virginia Balloussier

Cláudio Antônio Guerra, 79, ex-delegado a serviço da ditadura militar brasileira e hoje pastor evangélico, virou réu na Justiça Federal. Ele é acusado de destruir 12 cadáveres entre 1974 e 1975, incinerando-os em fornos de uma usina de açúcar desativada em Campos dos Goytacazes (RJ).
Guerra integrava à época o Dops (Departamento de Ordem Político Social). Em março, resumiu assim ao jornal Folha de S.Paulo o período em que, segundo o próprio, matou ou ajudou a sumir com corpos de militantes de esquerda: “Fiz algumas coisas que não foram boas”.
O pastor foi enquadrado por crime de ocultação de cadáver. O Ministério Público Federal foi notificado sobre a decisão da juíza Flávia Rocha Garcia, da 2ª Vara Federal de Campos, de acatar a denúncia feita pelo procurador Guilherme Virgílio.
À reportagem o réu disse que a Justiça tem todo o seu respeito e que acata “sua soberania”, mas que “gostaria de registrar que não agia por conta própria, era um soldado cumprindo ordens superiores”.

Confessou
Guerra confessou os crimes em várias ocasiões. Em “Pastor Cláudio”, documentário lançado neste ano, ele comenta ao ser questionado sobre nomes de desaparecidos durante o regime militar: “Esse aí eu matei”, “esse eu incinerei”.
Já havia feito o mesmo relato cinco anos atrás, em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, e dois anos antes, em “Memórias de uma Guerra Suja”, livro com recordações sobre o que definiu como sua “época de bobo”.
Pastor da Assembleia de Deus, Guerra contou como ele e colegas eram encarregados de queimar mortos despachados por militares. Às vezes, disse, abriam os sacos plásticos pretos para dar “uma espiadinha, por curiosidade”.
Diz que chegou a ver uma mulher com “sinais físicos” de estupro e um homem sem braço, que desconfiava ser José Roman, um corretor de imóveis do PCB (Partido Comunista Brasileiro), o Partidão.
Por WhatsApp, o ex-delegado afirma: é preciso considerar que “se tem uma anistia que descriminaliza os atos para os dois lados”.

Anistia
Em sua decisão, a juíza federal também resgata a Lei da Anistia promulgada em 1979 pelo último presidente da ditadura militar (1964-1985), o general João Figueiredo.
Ela aponta que a legislatura que anistiava “crimes políticos ou conexos com estes” no período veio “antes do advento da Constituição Cidadã” e “certamente não é convencional, isto é, está em flagrante dissonância com tratados e convenções de Direitos Humanos que o Brasil se submeteu” na comunidade internacional.
A visão da magistrada se alinha à do Ministério Público, diz o procurador Virgílio. “O Brasil, ao editar a Lei de Anistia e deixar de julgar seriamente esses tipos de crime, deixa de proteger os direitos humanos da forma que deveria”.

Estratégia
Em depoimento, Guerra narrou uma estratégia para dar sumiço nos corpos que acabavam não sendo engolidos por chamas, mas jogados em águas: arrancar parte do abdômen das vítimas, para evitar que gases se formassem neles -desse jeito o cadáver perigava emergir à superfície. Rios seriam uma opção melhor, já que no mar “a onda traz de volta”.
O ex-agente disse que a ideia de usar a Usina Cambahyba, mais eficiente para eliminar rastros, surgiu porque ali ele já desovava o corpo de criminosos comuns. Era, segundo ele, amigo do proprietário.
Parte dos cadáveres ele conta que apanhava na Casa da Morte, centro em Petrópolis (RJ) utilizado pela ditadura para assassinar opositores. Segundo Guerra, ele parava com o carro no portão e esperava militares entregarem defuntos ensacados.
Na usina, o cheiro dos corpos não se destacava porque, de acordo com o ex-delegado, o fedor do vinhoto (subproduto na produção de açúcar e etanol) era mais forte.
aposentadoria
A Procuradoria pede, além da condenação pelos corpos ocultados, que a União cancele eventual aposentadoria ou benefício que o réu receba diante de sua atuação como agente público. O pastor disse à Folha de S.Paulo que recebe um salário mínimo pelo INSS.
Guerra acrescenta, como “um pequeno desabafo”: está “bem fragilizado” após levar um tombo no quintal de casa que o teria levado a uma fratura no nariz. Meses atrás, contou que morava numa “casinha humilde” em Vila Velha, município vizinho à Vitória (ES).
Quando trabalhava para a ditadura, em compensação, frequentava um casarão onde “dava festas para mais de 100 pessoas, coisa de ostentação mesmo”, disse.

Estudante
Ele é alvo de outras duas denúncias da Procuradoria: sob acusação de participar do atentado do Riocentro (teria forjado evidências para culpar militantes antiditadura pela bomba) e acusado pelo assassinato de um estudante de geologia em 1973. Ronaldo Mouth Queiroz era vinculado à Aliança Nacional Libertadora, opositora aos militares.
Virgílio diz que o Ministério Público não irá atrás de Guerra por outra execução que ele diz ter cometido na ditadura porque “nossa lei exige perícia do corpo para provar o homicídio, e não há como fazer isso tantos anos depois”.
Nenhuma testemunha corroborou, então sustentar uma acusação só pela palavra do ex-agente enfraqueceria uma eventual ação.
Desde fevereiro, o ex-delegado cumpre prisão domiciliar, condenado pela morte de sua esposa e de sua cunhada, ambas encontradas em 1980 num lixão com 19 e 11 tiros, respectivamente. Esse crime o pastor nega.
Estes são os nomes dos desaparecidos cujos corpos, segundo a Procuradoria, o ex-delegado ajudou a descartar: Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, Eduardo Collier Filho, Ana Rosa Kucinski/Ana Rosa Silva (nome de casada), Wilson Silva, David Capistrano da Costa, Joaquim Pires Cerveira, João Batista Rita, José Roman, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Thomaz Antonio da Silva Meirelles Netto, João Massena Melo e Armando Teixeira Fructuoso.

OAB
Collier Filho é o amigo de infância que sumiu junto com Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz. Os dois foram vistos pela última vez por familiares em 23 de fevereiro de 1974.
Em agosto, o caso voltou à tona após o presidente Jair Bolsonaro dizer, com ironia, que se Felipe quisesse ele poderia contar como seu pai havia desaparecido nos tempos de repressão.
Bolsonaro sustentou que Fernando teria sido morto por membros da Ação Popular, de oposição ao regime militar, versão que contraria qualquer documento histórico.

Lula seria um dos mandantes do assassinato de Celso Daniel, segundo Marcos Valério

Em depoimento concedido ao Ministério Público e obtido por revista, empresário faz revelações sobre a morte do ex-prefeito de Santo André

O empresário Marcos Valério, responsável por aprimorar um método para desviar recursos públicos a fim de alimentar caixas eleitorais na década de 1990, contou, em um depoimento ao Ministério Público de São Paulo, que Lula é um dos mandantes da morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel.
Celso foi executado a tiros depois de ser sequestrado em 2002. A Polícia Civil sempre tratou o caso como um crime sem motivação política. No entanto, Marcos Valério afirma que a situação é diferente.
O depoimento do empresário, prestado no Departamento de Investigação de Homicídios de Minas Gerais, foi obtido pela revista Veja. Valério contou que o ex-deputado federal do PT, Professor Luizinho, “lhe confidenciou que Celso Daniel topou pagar com recursos da prefeitura a caravana de Lula pelo país, antes da eleição presidencial de 2002, mas não teria concordado em entregar a administração à ação de quadrilhas e àqueles que visavam ao enriquecimento pessoal”.
Valério disse também que, depois de pagar a chantagem de Ronan Maria Pinto, conversou sobre o assunto com o próprio Lula. O promotor Roberto Wider quis saber de Valério se ele conversou com Lula sobre esse episódio. O empresário disse que sim. ‘Eu virei para o presidente e falei assim: Resolvi, presidente. Ele falou assim: Ótimo, graças a Deus’.
Mas não foi apenas isso. Valério contou ao promotor que Ronan Maria Pinto, quando exigiu dinheiro para ficar calado, declarou que não ia ‘pagar o pato’ sozinho e que iria citar o presidente Lula como ‘mandante da morte’ do prefeito de Santo André. Nas palavras de Valério, Ronan ia ‘apontá-lo como cabeça da morte de Celso Daniel’”.

Estupro bate recorde e maioria das vítimas é de meninas até 13 anos

VIOLADAS — Meninas de até 13 anos foram as principais vítimas de estupro no Brasil em 2018, aponta 13º Anuário Brasileiro da Segurança Pública

O 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na terça-feira, 10 de setembro, registrou recorde da violência sexual. Foram 66 mil vítimas de estupro no Brasil em 2018, maior índice desde que o estudo começou a ser feito em 2007.
A maioria das vítimas (53,8%) foram meninas de até 13 anos. Conforme a estatística, apurada em microdados das secretarias de Segurança Pública de todos os estados e do Distrito Federal, quatro meninas até essa idade são estupradas por hora no país. Ocorrem em média 180 estupros por dia no Brasil, 4,1% acima do verificado em 2017 pelo anuário.
De acordo com a pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Cristina Neme, “o perfil do agressor é de uma pessoa muito próxima da vítima, muitas vezes seu familiar”, como pai, avô e padrasto conforme identificado em outras edições do anuário. O fórum é o órgão responsável pela publicação do anuário.
Para a pesquisadora, a reincidência do perfil indica que “tem algo estrutural nesse fenômeno”. Ela avalia que a mudança de comportamento dependerá de campanhas de educação sexual e que o dano exige mais assistência e atendimento integral a vítimas e famílias.
De cada dez estupros, oito ocorrem contra meninas e mulheres e dois contra meninos e homens. A maioria das mulheres violadas (50,9%) são negras.

Feminicídio
Além do crescimento da violência sexual, o anuário contabiliza alta dos homicídios contra mulheres em razão de gênero, o chamado feminicídio descrito no Código Penal, após alteração feita pela Lei nº 13.104.
Em 2018, 1.206 mulheres foram vítimas de feminicídio, alta de 4% em relação ao ano anterior. De cada dez mulheres mortas seis eram negras. A faixa etária das vítimas é mais diluída, 28,2% tem entre 20 e 29 anos, 29,8% entre 30 e 39 anos. E 18,5% entre 40 e 49 anos. Nove em cada dez assassinos de mulheres são companheiros ou ex-companheiros.

Plano secreto no Vaticano almeja a renúncia do Papa Francisco

ENCONTRO — Papa Francisco durante visita aos jesuítas com o superior geral Arturo Sosa, SJ (E) e o padre Orlando Torres, SJ (D)(GC36 Communications)

“Dentro e fora da Igreja, querem que o próximo pontífice não continue o caminho de Francisco.” Na França, foi publicado o livro Como os Estados Unidos querem mudar o papa, em tradução livre. É o que revela reportagem publicada pelo HuffPost.it, na terça-feira, 21 de agosto.
“Há pessoas dentro e fora da Igreja que gostariam que o papa Francisco renunciasse, mas o pontífice não o fará.” A denúncia vem do superior geral da Companhia de Jesus, Arturo Sosa, SJ.
O prepósito geral da Companhia de Jesus, no Meeting de Rimini, explica ao site AdnKronos quais seriam as razões desse complô contra o papa Bergoglio: “Acredito que a estratégia final desses setores não é tanto ‘forçar’ o papa Francisco a renunciar, mas sim incidir na eleição do próximo pontífice, criando as condições para que o próximo papa não continue aprofundando o caminho que Francisco indicou e empreendeu”.
Para o superior dos jesuítas, pelo contrário, “é essencial que esse caminho continue, de acordo com a vontade da Igreja expressada claramente no Concílio Vaticano II, do qual o papa Francisco é filho legítimo e direto”.
Sosa não é o único a falar desse suposto complô contra o papa. Como explica o jornal Il Messaggero, está à venda na França há alguns dias um livro escrito pelo jornalista do La Croix Nicolas Senéze, cujo título é Como os Estados Unidos querem mudar o papa. O volume resume os ataques dos últimos três anos contra Bergoglio.

Tradução é de Moisés Sbardelotto
Publicada originalmente no Instituto Humanista Unisinos (IHU)

“Como os Estados Unidos querem mudar o papa”, em tradução livre, do jornalista francês Nicolas Senéze — (Foto: Divulgação)