TECNOLOGIA

VIDEOCONFERÊNCIAS

Inteligência artificial mostra riscos de invasão de privacidade no Zoom

Em abril, o Microsoft Teams, o Zoom e o Google Meet ultrapassaram, respectivamente, 75 milhões, 300 milhões e 100 milhões de usuários.
Coleta de informações pessoais pode ser facilmente feita por meio de processamento de imagens realizadas por aplicativos de videoconferências

Pesquisadores da Universidade Ben-Gurion, em Israel, mostraram em um estudo publicado recentemente que é relativamente fácil extrair informações pessoais, como idade, sexo, imagens do rosto e nomes em capturas de tela públicas de videoconferências. Utilizando uma combinação de processamento de imagem, reconhecimento de texto e análise forense, eles conseguiram fazer referência cruzada de dados do Zoom, aplicativo que se popularizou durante a quarentena, e dados de redes sociais, demonstrando que os participantes das reuniões estão expostos a riscos que não imaginam.
Como as orientações de distanciamento social provocadas pela pandemia de Covid-19 impedem reuniões presenciais, centenas de milhões de pessoas em todo o mundo voltaram-se para as plataformas de videoconferência como forma de substituir o real pelo virtual.
No entanto, à medida que as plataformas crescem, falhas de segurança aparecem. Algumas delas permitem, inclusive, que agentes mal-intencionados “espionem” as reuniões. Com a aplicação de inteligência artificial, os pesquisadores puderam demonstrar que isso realmente é possível.

No entanto, à medida que as plataformas crescem, falhas de segurança aparecem. Algumas delas permitem, inclusive, que agentes mal-intencionados “espionem” as reuniões. Com a aplicação de inteligência artificial, os pesquisadores puderam demonstrar que isso realmente é possível.
Esse estudo procurou explorar os aspectos de privacidade que estão em jogo durante sessões no Zoom. Primeiro, os pesquisadores selecionaram um conjunto de dados de imagem contendo capturas de tela de milhares de reuniões usando raspadores da web do Twitter e do Instagram, configurados para buscar termos e hashtags como “escola Zoom” e “#reuniãoZoom”. Eles filtraram publicações sem imagem e duplicadas usando um algoritmo para identificar colagens do Zoom, ficando assim com 15.706 capturas de tela.
Cada uma delas foi então analisada, começando pela detecção facial. Usando uma combinação de modelos treinados de código-fonte aberto e a API do Azure Face da Microsoft, eles afirmam terem detectado rostos nas imagens com 80% de precisão, detectar gênero e estimar a idade (criança, adolescente ou adulto mais velho, por exemplo). Uma biblioteca de reconhecimento de texto disponível gratuitamente ainda extraiu 63,4% dos nomes de usuário corretamente, segundo eles.

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A referência cruzada de 85 mil nomes e mais de 140 mil rostos rendeu 1.153 pessoas que provavelmente apareceram em mais de uma reunião, assim como redes de usuários do app, onde todos os participantes trabalhavam juntos. De acordo com os pesquisadores, isso mostra que não é apenas a privacidade dos indivíduos que está em risco, mas também a de empresas.

“Demonstramos que é possível usar os dados coletados das reuniões de videoconferência juntamente com os dados vinculados coletados em outras videoconferências com outros grupos, como as redes sociais online, a fim de realizar um ataque de ligação aos indivíduos-alvo”, escreveram os pesquisadores. “Isso pode resultar em risco à privacidade do indivíduo-alvo, usando diferentes reuniões para descobrir diferentes tipos de conexões”.

Dicas de proteção
Para reduzir os riscos, os pesquisadores sugerem o uso de pseudônimos. Eles recomendam também que empresas informem seus funcionários sobre os riscos à privacidade em plataformas de videoconferência e que as companhias que fornecem esse serviço, como o Zoom, adicionem modos de privacidade para impedir o reconhecimento facial.
Não é a primeira vez que a privacidade torna-se um problema nessas plataformas. Em abril, o próprio Zoom organizou um plano de 90 dias no qual congelaria novos recursos para se dedicar somente à segurança. A Microsoft, por sua vez, corrigiu um bug que permitia que invasores roubassem dados em contas do Teams.


Mais de 4 milhões de estudantes não têm internet em casa no Brasil

Quase cinco milhões de crianças e adolescentes brasileiras estão à margem das oportunidades disponíveis na Internet

Por Larissa Mesquita

De acordo com os dados divulgados na semana passada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 4,8 milhões de crianças e adolescentes, na faixa de 9 a 17 anos, não têm internet em casa no Brasil. Embora as diversas tecnologias de informação e comunicação estejam mais acessíveis e contribuam para o ensino e aprendizagem, essas ferramentas ainda não estão disponíveis para todos.
Esse problema não é inerente somente ao contexto da zona rural. Segundo os dados divulgados pelo Unicef, nesse momento de pandemia da Covid-19, em que as aulas presenciais estão suspensas, é possível observar que o acesso à educação no país por meio das tecnologias digitais é desigual em todas as regiões.
Com o adiamento das atividades presenciais, todo o processo de ensino tem sido feito on-line. Mas 17% dos estudantes matriculados em escolas brasileiras estão impossibilitados de acompanhar o calendário escolar de forma satisfatória, segundo pesquisa do Unicef.
Para muitos pais, não poder dar essa assistência aos seus filhos tem sito angustiante. A doméstica Edilene Santos, 44, tem buscado soluções para superar esse obstáculo. Ela tem três filhos no ensino infantil e dois no ensino médio. Para os filhos menores, as aulas são entregues em papel, que ela busca na escola. Já os mais velhos assistem aulas pelo celular, com ajuda da internet disponibilizada pela irmã de Edilene, que mora próximo à família.
“É complicado, é muito difícil! A gente fica tentando ajudar sem poder, o coração fica partido, a gente fica pulando de galho em galho”, relata fazendo referência à necessidade de mandar os filhos estudarem na casa da irmã.

Mesmo com todo o esforço é possível perceber a queda no rendimento escolar diante desse cenário. Pois, algumas vezes, os filhos precisam aguardar Edilene chegar do trabalho, à noite, para poder assistir às aulas. “Eles estão sendo prejudicados porque estudar à noite é ruim, é uma hora que eles já estão cansados e, infelizmente, às vezes é o único horário que eles podem estudar quando não conseguem a internet da minha irmã, e eu tenho que compartilhar do meu celular quando chego do trabalho”, conta.
Para ela, se as aulas fossem transmitidas na televisão a situação poderia melhorar. “Na tv ajudaria porque eles iriam estudar em horários programados, não iriam ter que me esperar chegar do trabalho, de noite, para estudar com eles”, diz.

TV Cultura Educação
Com o objetivo de contribuir para a aprendizagem dos estudantes que não têm acesso à internet em casa, a TV Cultura, em parceria com Governo do Estado de São Paulo e a Secretaria Estadual de Educação, criaram o novo canal TV Cultura Educação. Nesse espaço, as aulas e conteúdos educativos serão transmitidos para mais de 3 milhões de estudantes da rede estadual dos Ensinos Infantil, Fundamental e Médio, por meio do canal digital 2.3.
A proposta inicial é de que sejam transmitidas 10 horas diárias de conteúdo ao vivo direcionado à educação, de segunda a sexta-feira, além de programas educativos e aulas gravadas. Assim, os alunos podem acessar, de forma gratuita, o aplicativo através de um aparelho celular, sem precisar de um pacote de dados móveis disponíveis no momento.

A exclusão digital é mais sentida entre as famílias de baixa renda residentes em bairros carentes

Adia Enem
Assim que a continuidade do isolamento social foi anunciada, e, consequentemente a suspensão das aulas presenciais, a realização da prova do Enem se tornou assunto de debate. Justamente porque muitos estudantes que se inscreveram para o vestibular estão sendo prejudicados, já que não eles não possuem meios para estudar.
Alunos, pais, entidades e artistas se juntaram para pressionar o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), requisitando o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Até então, a aplicação da prova está prevista para novembro.
Segunda-feira (18 de maio), o MEC emitiu um comunicado oficial, anunciando a possibilidade de adiamento do exame. “(…) o MEC e o INEP reforçam possuir um diálogo sempre aberto junto às mais diversas entidades e à sociedade em geral, destacando que todas as sugestões e críticas apresentadas são importantes para o aprimoramento de suas atividades e que cada uma delas será avaliada e discutida, sempre buscando o que seja melhor para a educação brasileira”, diz trecho da nota.

Inteligência artificial deve moldar o mercado de tecnologia em 2020

Pesquisadores apostam na conciliação entre AI e processos humanizados para que homem e máquina trabalhem em conjunto com o máximo de eficiência

Uma pesquisa realizada pela consultoria americana Accenture e chamada de Technology Vision mapeou as principais tendências tecnológicas para os próximos anos. Realizado com base na resposta de mais de 6 mil executivos de 25 países, o estudo aponta que a inteligência artificial é um dos temas que estará em alta no início da próxima década.
Com um dos pontos intitulado como “Eu e a inteligência artificial: reimaginar os negócios por meio de colaboração humana de IA”, a análise é de que as companhias precisam adotar uma nova abordagem para conciliar o uso desta ferramenta digital com os processos humanizados para que homem e máquina trabalhem em conjunto com o máximo de eficiência.
Não é uma missão das mais fáceis. Segundo a pesquisa, apenas 55% dos entrevistados acreditam que os funcionários vão descobrir formas fáceis de lidar com a automação robótica. O restante considera que este ainda é um desafio a ser superado.
Ainda em números, apenas 23% das empresas estão fazendo uso de inteligência artificial aliada com a força de trabalho. Isso deve mudar nos próximos anos. Para 63% dos executivos entrevistados, a expectativa é de que suas empresas passem a utilizar mais técnicas de robótica (munidas com inteligência artificial) em ambientes não controlados.

Indústria de games movimentou mais de US$ 120 bilhões em 2019

Fortnite foi o jogo que mais rendeu dinheiro em 2019, com US$ 1,8 bilhões, seguido por FIFA 19, com US$ 786 milhões

O mercado de videogames já pode ser considerado o mais rentável da indústria de entretenimento mundial há algum tempo e, mais uma vez, confirma esse status com um novo estudo que cobre o ano de 2019. Isso porque, de acordo com um novo relatório financeiro, a indústria de games movimentou mais de US$ 120 bilhões em todo o mundo no último ano.
O relatório vem da firma de análise do mercado SuperData, especializada nas movimentações financeiras da indústria de games. De acordo com a empresa, em 2019 as companhias de games movimentaram uma quantia recorde de US$ 120,1 bilhões, mostrando um crescimento de 4% em relação a 2018.

Plataformas mobile seguem impressionando
De acordo com o relatório da SuperData, as plataformas mobile foram responsáveis pelo maior nível de arrecadação do mercado de games, faturando US$ 64,4 bilhões. PCs ficaram atrás, com US$ 29,6 bilhões, enquanto consoles fecharam a conta das plataformas com US$ 15,4 bilhões.
Além disso, conteúdo relacionado a jogos em plataformas de vídeo, como Twitch, Mixer, Facebook e YouTube foi responsável pela arrecadação de US$ 6,5 bilhões, assim como a de realidade virtual e aumentada, que movimentaram US$ 6,3 bilhões.
Apesar de a soma dos valores chegar perto de US$ 122,2 bilhões, a SuperData informa que isso acontece pela divisão de múltiplas categorias no relatório, com jogos como Pokémon Go aparecendo no rendimento do setor mobile e de realidade aumentada.

Mercado AAA mostrou declínio
Uma informação do relatório veio na arrecadação de jogos AAA em 2019, que viu uma queda de 5% em relação ao ano anterior, movimentando aproximadamente US$ 18,9 bilhões. É válido comentar que foram lançados menos títulos premium em 2019 do que em 2018, algo que deve mudar em 2020.
Fortnite foi o jogo que mais rendeu dinheiro em 2019, com US$ 1,8 bilhões, seguido por FIFA 19, com US$ 786 milhões.
De acordo com analistas da SuperData, espera-se um crescimento na movimentação do mercado de games em 2020, chegando perto de US$124,8 bilhões, aproveitando o crescimento de plataformas mobile, além de lançamentos esperados, como The Last of Us: Part 2, Cyberpunk 2077 e Final Fantasy 7 Remake.
A firma não menciona se a chegada de consoles da nova geração na época das festas de fim de ano pode apresentar grande mudança na arrecadação ainda dentro de 2020.

Supremo adia para 2020 discussão sobre retirada de conteúdo da internet

Mais uma vez o Marco Civil da Internet está na mira dos inimigos da liberdade de informação ampla e irrestrita

Após pressão de gigantes de tecnologia, academia e ONGs de direitos na internet, o Supremo adiou para 2020 julgamento que pode alterar o Marco Civil da Internet, de 2014, e mudar as regras para retirar conteúdo da rede.
Baseada em dois recursos de vítimas que reivindicaram a remoção de conteúdos do Google e do Facebook, casos de 2010 e 2014, a corte vai definir se o artigo 19 do marco da internet é constitucional. Mais debatido durante a elaboração da legislação – que durou sete anos –, o 19 determina que aplicações de internet, como blogs, sites jornalísticos e redes sociais, sejam responsabilizados caso não removam conteúdos após ordem judicial.
Uma mudança pode determinar que qualquer plataforma seja responsabilizada se não excluir uma foto, mensagem ou vídeo após simples notificação de usuários que se sintam ofendidos. Na prática, um jornal poderia responder na Justiça se não excluísse um comentário de leitor (o artigo só versa sobre conteúdos gerados por terceiros) após um pedido de outro leitor ou de um político mencionado na mensagem, por exemplo.
O mesmo valeria para um vídeo no YouTube, uma foto no Facebook ou a uma publicação no Twitter. Diante dessa possibilidade, organizações passaram a alertar para o risco de um cenário de censura privada, em que empresas deletam conteúdo de modo automático para evitar litígios.
Outro receio é que o assunto seja encarado na ótica de polarização vítimas versus Google e Facebook, quando o contexto leva em conta qualquer tipo de aplicação, como Reclame Aqui, TripAdvisor, Wikipédia e contas de influenciadores no Instagram.
“O equilíbrio de direitos, de quando termina meu limite e começa o do outro, cabe ao Judiciário. A grande preocupação é que agentes privados exerçam papéis que são da Justiça”, diz Luiza Brandão, diretora do Instituto de Referência em Internet e Sociedade da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
A exceção do artigo 19 é a pornografia, cujo material deve ser retirado após simples notificação do usuário ofendido – por isso a decisão jurídica do Instagram em detectar previamente imagens que exibem mamilos. Outros temas, como crime de racismo, falsidade ideológica e discurso de ódio, não são contemplados nominalmente no Marco Civil. Aparecem, entretanto, nos termos de uso de redes sociais.
“Às vezes não fica claro para as pessoas que, pelas políticas de uso, as empresas já abolem conteúdos. Elas não esperam e não precisam esperar por ordem da Justiça para retirá-los”, afirma Celina Bottino, diretora no ITS-Rio. Antes do Marco Civil, as decisões se baseavam em uma determinação de 2010 do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que deixava dúvidas se a eliminação deveria ser feita mediante notificação extra ou judicial, até que o Marco Civil regulamentou o caso.
Para especialistas, o retorno dessa dinâmica levaria à hiperjudicialização. Eles dizem que o cenário de discussão foi contaminado por assuntos diferentes que, embora tenham conexão, não são regulados no mesmo balaio: fake news em eleições, difamação e discurso de ódio.
“Desde 2009 a lei eleitoral passou a adotar um sistema de responsabilidade das plataformas similar ao do Marco Civil, com retirada após avaliação judicial de propaganda irregular. Se no campo político funciona, é incongruente mudar isso na regra geral”, diz André Giacchetta, do escritório Pinheiro Neto.
Entre envolvidos no debate, não está claro o que substituiria o artigo 19. “O artigo optou pelo afastamento da responsabilidade primária da aplicação, salvo em questão de nudez de alguns casos de propriedade intelectual. Por que nudez dá responsabilidade direta às redes e outros assuntos, não?”, questiona Renato Ópice Blum, coordenador de direito digital na Faap.
Dias Toffoli, à frente da discussão, tem se mostrado favorável a uma maior responsabilização das plataformas em algumas aparições. Em diferentes ocasiões, uma lei recente da Alemanha surgiu nas argumentações. Aprovada em 2017, a Netzdg define que em hipóteses já consideradas ilegais – por exemplo, disseminação de símbolos inconstitucionais (como a suástica) – as plataformas com determinado número de usuários devem retirar os conteúdos depois de notificação e análise num período de 24 horas. A multa é de até € 50 milhões.

WhatsApp é usado como ferramenta para crimes cibernéticos

Após assumir o WhatsApp das vítimas, golpistas solicitam transferências e pagamentos de boletos

Por Patrícia Azevedo

Um transtorno que superou qualquer travessura. Às 12h do dia 31 de outubro, a jornalista Janayna Cajueiro perdeu o acesso à sua conta de WhatsApp. Em seguida, recebeu o telefonema de uma amiga: “Tem uma pessoa se passando por você, me pedindo para pagar um boleto”. A reação da jornalista foi imediata. “É golpe! Cancela agora!”, alertou. Nas próximas quatro horas, vários conhecidos relataram a mesma situação – mensagens enviadas pelo WhatsApp de Janayna solicitando transferências bancárias ou o pagamento de boletos. “Não vou esquecer nunca: foi bem no Dia das Bruxas! Halloween mesmo. Hoje, é até engraçado porque nenhum dos meus conhecidos caiu no golpe, graças a Deus. Mas foi péssimo! Perdi o dia todo de trabalho, muito desgastante”, contou Janayna.
A história, no entanto, havia começado no dia anterior, quando a jornalista postou quatro anúncios para venda de móveis no site da empresa OLX. Durante o preenchimento do cadastro, pensou que a alternativa mais lógica era deixar o número de telefone exposto nos anúncios, para que os interessados pudessem entrar em contato. Quando finalizado, Janayna recebeu um e-mail para confirmação, e quase ao mesmo tempo, uma mensagem no WhatsApp, pedindo um código de seis números que seria mandado por SMS. “O perfil tinha a logomarca da OLX. Utilizaram os dados reais da empresa na mensagem – site, telefone, CNPJ, endereço. Não desconfiei em nenhum momento e passei o código”, descreveu a jornalista.
O problema é que o SMS recebido por Janayna continha, na verdade, o código de acesso do WhatsApp, agora nas mãos dos golpistas. Às 21h da noite do dia 30, uma quarta-feira, Janayna perdeu o acesso ao aplicativo pela primeira vez. O provável é que os golpistas tenham tentado por repetidas vezes entrar na conta da jornalista, com o código enviado, mas foram impedidos porque ela havia habilitado a dupla verificação de segurança. Na manhã de quinta-feira (31), com o acesso ao aplicativo retomado e sem relacionar os fatos, ela se deparou com uma dezena de e-mails enviados pelo WhatsApp, escritos em inglês.
“Aí que me atrapalhei. No desespero, apertei o link que cancelava a dupla verificação. Eles deram sorte que eu me confundi. Em seguida, eles me ligaram, me fazendo aguardar na linha pura e simplesmente para não me deixar entrar no WhatsApp. Foi nessa hora que desconfiei”, contou. Ao meio-dia, Janayna perdeu o acesso ao aplicativo pela segunda vez. Os golpistas assumiram a conta e começaram a fazer os pedidos. Quando recebeu o telefonema da amiga, ela teve certeza que algo estava errado e alertou os pais, o marido e os amigos mais próximos. Postou também mensagens no Facebook e no Instragam.

Sinais
A linguagem utilizada pelos golpistas nas mensagens foi o principal motivo de desconfiança dos amigos e conhecidos da jornalista. “As pessoas sabem como eu converso, como dou risada ou uso os emojis. Além de serem muito diretos nas mensagens, eles comentem erros de grafia, de concordância. São confusos ao explicar o que desejam. E muitos dos meus amigos já estavam cientes, porque liguei ou viram as mensagens nas redes sociais, então começaram a levar os golpistas na conversa e solicitar informações”, relatou Janayna. Dessa forma, ela conseguiu dados referentes a três contas, incluindo nome e CPF dos titulares, que foram incluídos no boletim de ocorrência.
Por volta das 15h, os golpistas retiraram a foto de Janayna do perfil e colocaram a logomarca da OLX. “Provavelmente para aplicar o golpe em outras pessoas. Meus amigos viram e tiraram prints da tela. Corri na minha operadora para bloquear o chip e impedir que outros fossem prejudicados”, completou. À meia-noite, Janayna terminou o seu Dia das Bruxas esgotada e de volta ao WhatsApp, agora com um novo número de telefone. O aprendizado: não passar códigos recebidos a ninguém e ativar sempre a verificação em duas etapas. Para a jornalista, os envolvidos se aproveitam do imediatismo, agindo muito rápido, assim que os novos anúncios são postados na plataforma da OLX. “E uma última dica, que eu já praticava: não salve contatos como ‘pai’ e ‘mãe’, utilize sempre o nome da pessoa”, ressaltou.

Pesadelo
O estudante Lindon John passou, em agosto, por situação parecida, que descreveu como um “verdadeiro pesadelo”. Também na esperança de facilitar o contato com possíveis compradores, deixou seu número de celular exposto em um anúncio feito no site da OLX. A diferença é que o contato para a suposta confirmação do anúncio ocorreu por meio de um telefonema. “Pediram para eu confirmar alguns dados e passar o código que seria enviado por SMS. Neste momento, na correria do dia, não verifiquei o autor da chamada e simplesmente ditei para o sujeito os seis números que apareceram para mim na mensagem”, relembrou Lindon. Em seguida, pediram para que o estudante aguardasse na linha. Após três minutos de espera, Lindon perdeu a paciência e encerrou a ligação.
“Neste momento, fui acessar meu WhatsApp para me comunicar com quem precisava e vi que não tinha mais acesso ao aplicativo. Ele pedia o código de verificação, que eram os seis números que havia passado para o sujeito via telefone. Entretanto, eu só poderia solicitar novamente após um período de tempo, algo em torno de cinco horas”, afirmou. Lindon começou então a ligar para seus principais contatos e postou alertas nas redes sociais. Ele calcula que conseguiu atingir cerca de 80% da sua rede de relacionamentos, evitando assim que as pessoas caíssem no golpe e realizassem a transferência de dinheiro. A próxima batalha foi reaver o controle da conta. Lindon ligou para a operadora de telefonia, que informou não ser possível prestar ajuda.
“Disseram que não podiam fazer nada e me indicaram pesquisar por uma conta de e-mail de suporte do WhatsApp. O aplicativo não possui um SAC via telefone, o que torna desesperador. Busquei e encontrei um e-mail de suporte que, ao meu ver, nada adiantou. Recebia respostas sem nexo de retorno e nada conclusivo. Por fim, pedi que denunciassem minha conta, para que ela fosse bloqueada e o sujeito que me aplicou o golpe ficasse sem acesso. O que parece ter funcionado”, relatou o estudante.
Lindon ficou sem WhatsApp por 12 horas até conseguir solucionar o problema. Meses depois, o estudante recebeu um pedido de ajuda de uma pessoa que havia caído no mesmo golpe e decidiu procurar a redação do Dom Total, com o objetivo de alertar um número maior de pessoas. “Não é só no OLX que isso ocorre. Após conversar com um amigo, ele me informou que foi vítima desse mesmo golpe, porém via WebMotors. Qualquer marktplace no qual você pode disponibilizar seu número para facilitar o contato de possíveis clientes, você estará correndo o risco de cair neste mesmo golpe”, reforçou. Após o sufoco, o estudante habilitou a autenticação de dois fatores em seu aplicativo e recomenda que todos façam o mesmo.

Caiu no golpe
Em 14 de novembro, por volta de 16h30, o analista de sistemas Janser Lemes recebeu uma mensagem de um amigo pedindo ajuda em uma transferência bancária, uma vez que havia excedido seu limite diário. “Ele perguntou se eu poderia fazer. Como eu estava na correria do trabalho e por ser um amigo de confiança, nem prestei atenção”, contou Janser. Os golpistas pediram uma primeira transferência de R$ 1.320 e, em seguida, uma nova transferência de R$ 980.
“Logo transferi os dois valores, totalizando R$ 2.300. Houve displicência da minha parte. Se eu tivesse lido a conversa com mais cautela teria percebido que era golpe, pois o fraudador não falou meu nome, usou gírias que o meu amigo não usa”, afirmou o analista de sistemas. Às 22h30, Janser recebeu uma mensagem de seu amigo, informando que o celular havia sido clonado. Já era tarde. A logística do golpe foi a mesma dos casos anteriores: o amigo de Janser havia anunciado um produto na OLX e recebeu um telefonema para confirmar as informações. A novidade é que os golpistas conseguiram burlar o segundo fator de autenticação, sem contar com a distração da vítima, como no caso de Janayna.
“Como? Os bandidos mantiveram ele na linha enquanto acessavam o seu WhatsApp, então quando pediu o código do segundo fator de autenticação, eles clicaram em ‘esqueci’, então para recuperá-lo. O WhatsApp te liga para informar o código, mas a linha estava ocupada, então caiu na caixa postal. Hoje é possível acessar qualquer caixa postal desde que você tenha o número do telefone e senha. A senha padrão para a maioria das operadoras é 123. Desta forma os bandidos acessaram e pegaram o código enviado pelo WhatsApp”, contou Janser.
O analista de sistemas foi à delegacia com seu amigo, para registrar boletim de ocorrência, mas o próprio policial disse que casos assim “ficam por isso mesmo” e zombou por terem caído no golpe. “No banco para o qual o dinheiro foi transferido também não puderam fazer nada, além de bloquear a conta que recebeu o dinheiro, mas essa altura, o dinheiro já havia sido sacado”, completou. Janser acredita que faltou boa vontade da polícia e do banco, uma vez que todas as agências possuem câmeras e as operações ficam registradas.

Estatística
Janayna Cajueiro, Lindon John e Janser Lemes são três entre as milhares de vítimas de golpes virtuais realizados no segundo semestre deste ano. De acordo com levantamento feito pela associação SaferNet Brasil em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), pelo menos 366 crimes cibernéticos são registrados diariamente em todo o país. Em 2018, o número total de queixas chegou a 133.732, o que representa um aumento de quase 110% em comparação a 2017, quando foram registradas 63.698 denúncias.
A primeira recomendação às vítimas é guardar o maior número de dados referentes ao ocorrido, como e-mails, fotos da tela (celular ou computador), informações do infrator e mensagens em rede sociais. Em seguida, deve-se procurar uma delegacia de polícia e realizar um boletim de ocorrência. Algumas cidades já possuem delegacias de polícia especializadas em crimes cibernéticos. Em Belo Horizonte, ela está localizada na Avenida Francisco Sales, 780, Santa Efigênia.

WhatsApp fora do expediente pode contar como hora-extra

O uso do WhatsApp para além do expediente de trabalho pode configurar hora-extra para o funcionário

As redes sociais fazem parte do dia a dia das pessoas no mundo inteiro. Aplicativos como o WhatsApp servem, inclusive, como ferramentas de trabalho. Mas até onde vão os limites desse uso? Responder o chefe fora do horário de expediente, atender a uma demanda, pode ser considerado hora-extra?
Segundo pesquisa realizada pela consultoria Croma Insights, o WhatsApp é o aplicativo mais usado pelos brasileiros. São 120 milhões de usuários ativos mensalmente. A rede social é também uma ferramenta de trabalho para 60% dos entrevistados, número três vezes maior do que o e-mail, que representa 20%.
Quando esse uso se estende para além do expediente, de forma corriqueira, pode configurar hora-extra para o funcionário, de acordo com o especialista em direito do trabalho Ricardo Hampel, do escritório AB&DF Advocacia.
“O limite é o bom-senso. Se isso acontece de forma esporádica, não tem problema, não há, por parte da empresa, dever de indenizar. O problema é quando se torna rotina”, diz ele.
Hoje em dia, é possível resolver muita coisa por meio de aplicativo. “Posso dar ordem, receber, determinar ou praticar diligências. Tudo por mensagem e, às vezes, a empresa contata o empregado em horários inoportunos, até de madrugada. Se isso ocorre de maneira corriqueira há, sim, o dever de indenizar”, esclarece.
Nos tribunais, o entendimento é baseado nessa habitualidade do contato em horários inoportunos, não há dispositivos na lei que tratem especificamente do assunto. “A nossa legislação trabalhista, ainda que tenha sofrido uma reforma, em novembro de 2017, é de 1940. A reforma veio até para torná-la mais contemporânea, mas ainda guarda traços de um Brasil muito distante, atrasado, que não é a realidade que vivemos hoje”, analisa.
O trabalhador que se sinta lesado pode ingressar na Justiça do Trabalho, mesmo sem advogado, ou pode contar com a Defensoria Pública e até mesmo a assistência jurídica de faculdades de Direito, que prestam serviço gratuito para quem não pode arcar com os custos.
“Como se fosse um juizado especial cível, ele pode dar início a um processo”, explica Hampel. O advogado chama a atenção, no entanto, para os riscos que o trabalhador corre no caso de uma condenação.
“A reforma trabalhista pontuou algumas coisas novas, inclusive os chamados honorários de incumbência. Antigamente, era muito comum a gente ver empregados que ingressavam na justiça e faziam um rol de pedidos extremamente extensos. Hoje em dia, além de perder, você ainda pode ser condenado a pagar os honorários do advogado da parte vencida”, avisa.
Para evitar condenações, o especialista aconselha o trabalhador a reunir provas e ter cuidado com o que vai pedir. “Se você acha que seu direito está sendo violado, produza o maior número possível de provas, tire print das mensagens, com o horário que você está sendo demandando, junte uma coletânea de testemunhas e documentos, para ingressar na Justiça, bem amparado, e evitar surpresas, um julgamento improcedente e eventual condenação”, alerta.

Uber permitirá que motoristas mulheres optem por transportar apenas passageiras

Motoristas mulheres dirigindo com a plataforma Uber poderão ter uma clientela formada somente por outras mulheres
Por Cecília Emiliana

Mulheres parceiras da Uber agora poderão optar por atender apenas passageiras. A novidade integra o pacote Elas na direção, recentemente lançado pela empresa. A iniciativa será implantada a partir de novembro, a princípio, em três cidades brasileiras: Campinas, Curitiba e Fortaleza. Belo Horizonte e demais localidades contempladas pelo aplicativo serão incluídas no projeto a partir de 2020. Batizada de U-elas, a ferramenta que permite escolher o gênero do público poderá ser ativada ou desativada a qualquer momento.
Segundo a Uber, as mulheres correspondem a apenas 6% da base de 600 mil motoristas e parceiros. O novo recurso busca estimular a adesão feminina ao app de transportes, já que, de acordo com um levantamento empresa, 64% das motoristas identificam a segurança como principal entrave para começar a dirigir na plataforma. A dificuldade de acesso a um carro foi citada por 34% entrevistadas.
“Esperamos que esse seja um primeiro passo para que, no futuro, tenhamos um número suficiente de mulheres dirigindo com a plataforma para também oferecer essa opção para usuárias mulheres com a mesma eficiência que é marca registrada da Uber”, afirma a diretora geral da Uber no Brasil, Cláudia Woods.
Fruto de uma parceria entre a Uber, a Rede Mulher Empreendedora e a economista Gabriela Mendes, o Programa Elas na Direção inclui descontos especiais no aluguel de veículos em unidades da Localiza Hertz situadas nas três cidades-piloto. A locadora também vai dispensar a exigência de cartão de crédito para mulheres cadastradas no app, mas que nunca realizaram uma viagem.
Outra vantagem oferecida pelo Elas na Direção é a garantia de renda mínima de R$ 1.500 nas primeiras 100 corridas.

Instagram lança ‘Threads’, aplicativo para troca de mensagens

(foto: Loic Venance / AFP)
Por Rafael Carelli

O Instagram anunciou, na quinta-feira (3), o lançamento do aplicativo ‘Threads’. A ideia da empresa, que faz parte do grupo Facebook Inc., é criar conexões mais ágeis e íntimas entre usuários que fazem parte das listas de ‘melhores amigos’, dando maior controle dentro da plataforma.
O ‘Threads’ engloba várias funcionalidades que ficaram conhecidas como marcas do concorrente, o Snapchat. Além da tela, que se abre diretamente na câmera, o usuário poderá enviar fotos e vídeos, que se deletam automaticamente. Os destinatários serão os amigos na lista de ‘melhores amigos’, do Instagram e as mensagens podem ser enviadas para vários de uma vez ou individualmente.
Outra função do novo aplicativo do Instagram é a possibilidade de compartilhamento de localização, algo parecido com o Snap Maps, do Snapchat. As fotos e vídeos feitos dentro da plataforma podem ser editadas com comentários, desenhos, filtros e figurinhas, como são os stories. Os status, como os existentes no Whatsapp, —também estarão presentes.
A conexão do aplicativo com o Instagram permitirá que as mensagens e fotos trocadas no ‘Threads’ possam ser vistas no Direct do Instagram, dando controle total ao usuário da plataforma.
O lançamento do novo aplicativo é um golpe direto na rivalidade entre Facebook e Snapchat. Pesquisas recentes mostram que a população jovem dos Estados Unidos tem preferência por usar o Snapchat e, aos poucos, abandonam o Instagram. As inovações na plataforma buscam atrair os mais novos para o aplicativo.
O aplicativo ‘Threads’ pode ser encontrado na AppStore (iOS) e na Google Store (Android) a partir da quinta-feira (3).

Uber lança aplicativo de empregos temporários; veja como funciona

A Uber anunciou, na noite desta quarta-feira (2), o lançamento oficial do aplicativo ‘Uber Works’. A plataforma começa a operar em Chicago e vai, aos poucos, expandir sua área de atuação. O ‘Works’ conectará candidatos a vagas de emprego temporárias e recrutadores, possibilitando pagamento pelo próprio aplicativo.
Alguns aplicativos com a mesma proposta já atuam nos Estados Unidos, como o Workpop e o Shiftgig. O Uber Works permitirá que o usuário procure por empregos que não tenham vínculo empregatício. Para isso, a empresa americana firmou parcerias com companhias de recrutamento, que conectarão contratantes e candidatos.
A ideia da plataforma é oferecer a experiência de ponta a ponta. No cadastro, o usuário registra seu currículo, a disponibilidade de turnos para trabalho e pretensão salarial. Dentro do aplicativo, o trabalhador pode gerir as horas extras, informar que não poderá trabalhar em determinado dia e receber seus pagamentos.
Segundo a Uber, a ideia do aplicativo é que o trabalho não é uma atividade em si. A empresa aponta que funções como cozinheiro, trabalhadores de depósitos, faxineiros e staff de eventos têm características que usam prioritariamente o trabalho temporário, facilitando para contratantes e candidatos.
A empresa americana enfrenta crise em suas atividades tradicionais, de aplicativo de mobilidade urbana. O capital da companhia foi aberto em maio e, por várias vezes, o valor dos papeis da Uber nas bolsas de valores atingiu números próximos aos do lançamento, zerando os ganhos dos investidores.
Os problemas de regulação, que causaram inúmeras polêmicas com o aplicativo original, Uber, Uber Eats e Uber Pool, também podem ser um problema para o Uber Works. As legislações trabalhistas variam de acordo com o local de atuação, até mesmo dentro do mesmo país, prometendo grandes disputas jurídicas para a ampliação do novo serviço.
Lançado primeiramente em Chicago, o aplicativo tem a proposta de atingir a excelência na cidade, localizada no estado americano de Illinois. A empresa não fixou datas de lançamento para outras cidades dos Estados Unidos e nem em outros países.

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